Procurei o trem, achei o trem, e pronto, lá estava eu, sentadinho a caminho da Rússia. O trem começou a se mover, ao meu lado uns russos falavam alto, e aquilo me intimidava muito. Não dava para entender absolutamente nada do que eles falavam. Conforme o trem foi saindo de Helsinque, um funcionário da VR passou nas poltronas pedindo o passaporte. Como eu estava viajando com dois passaporte, mas o funcionário era finlandês, mostrei o passaporte europeu. Ele olhou, e perguntou onde estava o visto. Disse a ele que eu tinha passaporte brasileiro, e que brasileiros não precisam de visto. Ele pediu então o passaporte brasileiro,
olhou, e me devolveu. O trem continuou seu caminho pela linda Finlândia. Durante todo o trajeto é possível trocar euros por rublos, e foi o que eu fiz. Ainda comprei algumas coisas com rublos no bar do trem, assim consegui trocados para pagar o metrô na chegada. Várias estações pequenininhas passaram, em lugares muito bonitos, até que o trem começou a chegar perto da fronteira com a Rússia. Conforme o trem foi chegando, informaram que o restaurante estava fechando, e que a partir de determinado momento, não poderíamos nos levantar mais, nem para ir ao banheiro. Finalmente a fronteira da Rússia. O trem diminui a velocidade e então passou por um lugar cheio de arames farpados. Era a fronteira.
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| Fronteira entre Finlândia e Rússia vista do trem |
Um pouco antes da fronteira, em um lugar chamado Vainikkalan, saíram os oficiais finalndeses, entraram os russos, e começaram a olhar o passaporte, um por um. Também entraram uns cães farejadores, bonitos e assustadores. Não sei o que aqueles bichos farejavam, mas acho que era a procura de bombas ou algo assim. A Rússia tem uma paranoia quase norte americana com medo de terrorismo. Um oficial da imigração parou do meu lado, pediu meu passaporte, olhou, e perguntou se eu tinha preenchido um papel onde temos que informar alguns dados de hospedagem e permanência. Como ninguém havia me dado tal papel, informou a ele que não. Ele jogou o papel em cima de mim, quase como se eu fosse culpado de algum crime. Preenchi rapidamente e devolvi. Ele então me devolveu uma via que deve ser apresentada no hotel, que fica responsável nossa regularização em território russo. Terminados os trâmites, o trem voltou a circular com velocidade normal. A partir da fronteira da Rússia, as coisas mudaram um pouco. Já não se via, pelas janelas, aqueles lugares tão perfeitos como na Finlândia, percebia-se um toque de pobreza naquelas vilas perdidas no meio do nada. A gente fica imaginando como era na época do comunismo, e impossível não imaginar o que aquelas paredes, muros, e árvores, não testemunharam. Certamente nossa imaginação é mais fértil que realmente foi. Outra coisa interessante é que, a partir da fronteira, todos os anúncios do trem são feitos em russo, e depois em inglês, ao contrário de como era feito até então. Mais algumas horas e o trem foi então entrando em São Petersburgo. Juro que fiquei assustado. Se pudesse eu teria voltado dali mesmo. Aqueles prédios, dezenas e mais dezenas, todos iguais, alguns muito modernos, outros velhos, pareciam ter testemunhados outros tempos. Finalmente paramos na plataforma da estação. A estação fica em uma parte a céu aberto, onde deve ser bem frio no inverno. Peguei minhas coisas, saltei do trem, e uma placa indicava como sair da estação. Saí por uma rua lateral, onde muita gente oferecia serviços de taxi. Lembrou muito o Brasil. Eu já havia decorado o mapa da estação, então fui direto para o metrô, que ficava no mesmo prédio, mas com entrada pela frente da Estação. Eu já havia trocado o dinheiro no trem, então joguei o valor exato do preço do metrô pra moça do caixa, apontando pra ela o número um, com meu dedo indicador. Ela me deu uma ficha, que utilizei para entrar no metrô. E que estacada rolante era aquela. Gigantesca, demorei quase 2 minutos para chegar ao fim, que já sai diretamente na plataforma. Nessas horas ter estudado um pouco o alfabeto Cirílico ajudou. O metrô, bem esquisitão, se aproximou, eu entrei, ele começou a andar, e eu olhando aquelas pessoas, aquele trem, aqueles anúncios que eu não entendia nada, enfim, eu estava na Rússia. Uau...
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| Estação de Trem de São Petersburgo |
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| Metrô maluco de São Petersburgo |