Cheguei a Moscou em um dia de semana, por volta de 18 horas, e pra minha surpresa fazia calor. Cheguei de trem vindo de São Petersburgo e antes de embarcar eu já havia estudado bem o caminho que teria que fazer até meu hotel. Fiquei hospedado no Hotel Izmailovo Gama, um complexo gigante de hotéis utilizado em outros tempos como alojamento de atletas das olimpíadas. No hotel havia alguns restaurantes, localizado praticamente dentro de uma estação de Metrô, lotado de chineses (ou seriam coreanos?). Me lembro bem que eu procurei muito por um hotel com restaurante, pois tinha medo de não conseguir comer na rua, já que ninguém fala inglês em Moscou. Pelo menos ali as pessoas deveriam falar, né? Deveriam. Cheguei ao hotel e ainda havia sol naquela primavera russa. Como eu havia sido assaltado em Roma fazia alguns dias, eu ainda estava um pouco assustado. Confesso que o susto não era só pelo medo de assaltos, era também com a grandiosidade de Moscou. Sabe quando uma criança se perde da mãe dentro de um hipermercado? Eu me sentia assim ali. Eu nunca conheci antes alguém que tivesse visitado Moscou, então tudo aquilo me parecia uma maluquice total. O quarto era legal, no 20º andar, de onde se tinha uma vista incrível da cidade. Aos poucos foi anoitecendo e eu na janela observando aquela cidade enorme que se parecia muito com São Paulo. Grandes prédios, muitas ruas, muitos carros, muitas luzes... dormi com a janela aberta, olhando aquela imensidão que eu pretendia desbravar a partir do dia seguinte.

1º dia - Acordei e logo fui pedir informações no térreo do hotel onde imaginei que alguém falaria inglês e me explicaria como me deslocar pela cidade. Andar de metrô eu já sabia (ou achava que sabia), já que no dia anterior eu tinha saído da estação de trem e ido até o hotel utilizando o metrô. Ao pedir informação percebi que a moça até se esforçava para falar inglês, mas eu praticamente não entendia nada o que ela falava. Ainda bem que ela me deu um mapa, que era na realidade o que eu mais queria. Depois acabei comprando outro no centro. Adoro mapas. Com mapas eu sempre me viro, e eu já sabia que da estação de metrô existente junto ao hotel, eu poderia pegar uma única linha direto para a Praça Vermelha, e era lá que eu queria ir logo no primeiro dia. Meu medo ao entrar na estação era pegar um trem no sentido errado. Não que não exista informações dentro da estação, até há muita, mas o problema é que a gente não entende absolutamente nada, então a dica é sempre prestar atenção a voz que anuncia as estações, se for uma voz masculina, você estará indo para o centro, se for feminina, você estará indo pra casa. Meio machista isso né? Pra ir ao trabalho, voz masculina, pra voltar pra casa, voz feminina. Voz conferida, era voz masculina, então a certeza de que eu estaria indo para o lado certo (errei algumas vezes nos dias seguintes). Fui contando a quantidade de estações, já que não da pra entender nada do que se fala, e ler alfabeto cirílico é sempre complicado. Confesso que eu havia estudado um pouco o alfabeto cirílico antes de viajar, então conseguia identificar naquela coisa que estava escrita na parede, o nome das estações (na verdade eu só consegui entender as primeiras letras, o resto eu lia em um tipo de versão que só eu entendia). Saí da estação marcando tudo, prédios, posição do sol, cor das lojas, morrendo de medo de me perder. Andei por uma quadra e ao olhar para a esquerda já avistei uma das torres da Praça Vermelha. Fácil... fui andando na direção da torre, até alcanças a Praça. Existe no mundo certos lugares que ao chegar, sempre temos aquela sensação de "UAU". Foi assim que caminhei na Praça Vermelha naquele dia, com aquela sensação de "nossa, estou aqui". Impressionante a grandiosidade daquele lugar.
Difícil não se lembrar de tudo que vemos na TV sobre aquele aquela praça, das pessoas que caminharam ali em outros tempos, quando ali era o centro da União Soviética, incluindo as grandes paradas militares que ainda acontecem por ali todos os anos. Da até pra ensaiar uma marcha, fingindo ser um soldado russo.
Em frente às muralhas Kremlin, do lado oposto, há um shopping muito legal chamado Gun, que parece ser uma fronta a Lenin, cujo corpo está exposto na frente das muralhas do Kremlin. A visitação ao corpo do Lenin possui horários específicos, e eu acabei não conseguindo ir. Na verdade, nem fiz muita questão, porque só era aberto na parte da manhã, e porque eu achei meio mórbido ver um corpo embalsamado.

Cruzei a Praça Vermelha em direção a Catedral de São Basílio. Naquele dia apenas passei pela frente, sem entrar, nem no Kremlin, nem na Catedral. Dali fui em direção ao Rio Moscou. onde atravessei a Ponte Bolshoy Moskoretsky, e de onde é possível tirar fotos no melhor dos ângulos (até porque é normal ter algum palco montado na Praça Vermelha atrapalhando as fotos). Atravessei a Ponte tirando fotos, depois virei à direita e segui em direção à Estátua de Pedro, o Grande. O povo de Moscou parece não gostar muito dessa estátua, mas quando eu vi uma foto, lembro-me que o tamanho me chamou atenção. Realmente é um monumento feio, mas é grande, e está em Moscou, então vale a visita. Após algumas fotos retornei um pouco e atravessei novamente o Rio Moscou em direção a Catedral. Da pra entrar na Catedral, e vale a pena, lembrando sempre que as mulheres devem cobrir a cabeça para entrar nesses templos. Saindo da Catedral, segui pela Ulitsa Vokhonka, desculpe, não tenho ideia do que signifique isso, acho que Ulitsa significa rua. Fui voltando em direção ao Kremlin. Ali é fácil se localizar, já que aquelas torres vermelhas são inconfundíveis, e por incrível que pareça, tem até placas em inglês. Seguindo pela Ulitsa Mokhovaya dei uma paradinha no prédio da Biblioteca Estatal Russa, aproveitando o Wi-Fi de graça. Fotos publicadas no Facebook, mensagens mandadas à família, continuei ainda pela tal Mokohovaya até o Teatro Bolshoi. Lá uma parada para fotos sempre é legal, já que assistir alguma coisa é bem complicado. Dali voltei e fui conhecer o jardim que existe na lateral da Praça Vermelha, onde há inclusive um McDonalds. Finalmente, para encerrar o dia, fui até o Shopping Gun procurar algo para jantar. Até há algumas coisas, e com um pouco de inglês e muita mímica é possível pedir comida e pagar a conta. Nada que o dinheiro não resolva. Para quem gosta há comida tipo por quilo, resquício dos tempos de socialismo, há alguns restaurantes nesse estilo. De volta ao metrô, rapidamente estava de volta ao hotel.


2º Dia - Acordei e tentei tomar café no hotel, mas só o que eu consegui comprar foi um suco de caixinha em uma máquina. Meu segundo dia eu reservei para conhecer os lugares fechados. Saí do hotel e fui direto para a Praça Vermelha. Essa praça exerce uma atração incrível. É incrível estar lá. Fui então conhecer a Catedral de São Basílio. Muito legal por dentro, da pra ficar um tempo andando lá dentro, presenciando inclusive alguém celebrando um tipo de culto, muito bonito. De lá saí e fui em direção ao Kremlin. Outro prédio onde da pra ficar o dia todo caminhando. Uma coisa interessante é que o interior das muralhas da Praça Vermelha parece, de fora, um lugar todo protegido, cheio de espiões, mas por dentro é muito pacífico, com lindos gramados, igrejas, e locais interessantes. A segurança é sempre reforçada para entrar, e o acesso se da na praça localizada ao lado direito das muralhas da Praça Vermelha, perto do McDonalds. A bilheteria é por ali também, e há algumas opções de visitação. Fiz a mais simples, como pão duro que sou. Próximo ao acesso ao Kremlin há também um Monumento ao Soldado Desconhecido, onde de tempos em tempos da pra assistir a troca dos guardas que ficam plantados ali, protegendo aquele pedaço de mármore. Finalmente, depois de ter explorado tudo ali, ao redor do Kremlin, peguei o Metrô tentando juntar uma visita a suas suntuosas estações a algumas atrações espalhadas pela cidade. As estações mais bonitas ficam ao longo da linha marrom, circular, que são as mais profundas. Dizem que foram concebidas para ser o Palácio do Povo. Da pra dar uma paradinha em todas, tomando apenas cuidado pra não atrapalhar os russos, que parecem sempre apressados de um lado para o outro. Não falei que parecia São Paulo. Seguindo meu roteiro fui em direção ao Museu do Cosmonauta, com acesso rápido pela Metrô, estação VDNKh. Nome estranho para uma estação né? Mas o museu é bem legal, que mostra o lado russo da corrida espacial, normalmente contado apenas pela visão dos americanos. Na verdade minha curiosidade por esse nasceu em um clip do Pet Shop Boys, que mostrava o monumento que existe sobre o museu. Delá peguei o Metrô novamente, agora em direção à Universidade de Moscou, não exatamente para conhecer a Universidade, mas porque na Universidade está a maior das 7 irmãs de Stalin. As sete irmãs de Stalin são um conjunto de 7 prédios parecidos, espalhados por Moscou, e que chamam muito atenção por sua simetria. Contam que foi construído por Stalin para comemorar a vitória da União Soviética na Segunda Guerra. Prédio observado, fotos tiradas, segui de volta para o hotel, finalmente consegui comer no restaurante de lá. Achei engraçado quando a garçonete percebeu que eu não falava russo, saiu correndo buscar um cardápio com fotos. Funcionou. :)
3º Dia - Assim que saí do hotel, adivinham para onde eu fui? Praça Vermelha, claro. Gente, eu estava em Moscou, queria passar ali quanto mais vezes eu pudesse. Tomei café da manhã no Shopping Gun, que nem era assim lá grande coisa, e sai pela Rua Arbat. A Rua Arbat é uma reta só em direção ao Rio Moscou, saindo da Praça Vermelha, onde se pode comprar as famosas matrioscas (que eu confundo com balalaica). Na verdade você pode comprar matrioscas em qualquer lugar, até mesmo no hotel tinha lojinhas vendendo aquilo, e depois de passar em frente a tantas lojas, acabei não comprando. Desisti de comprar coisas para ficar empoeiradas em alguma estante da minha casa. Andei bastante, olhando aquelas lojas todas e acabei saindo próximo ao prédio do Ministério de Assuntos Exteriores, outra das 7 Irmãs de Stallin. Uma coisa interessante ali, e em toda a cidade, é que quando há grandes avenidas, não há pontos de travessia em nível, você tem sim é que procurar passagens subterrâneas que vão de um lado para o outro da rua. Prático, apensar de estranho. Voltando ao nível do sol, segui meu mapa em direção ao Hotel Radisson, de onde saem os melhores passeios de barco pelo Rio Moscou, e era meu objetivo naquele dia.. No caminho, fotos do prédio do Governo da Rússia, incluindo o prédio onde o Sr. Putin trabalha. Achei o hotel Radisson, que funciona em outra das 7 irmãs de Stalin, essa a mais bem conservada, claro. O que será que Stalin acharia se soubesse que um de seus prédios se tornou um prédio de luxo capitalista? O passeio de barco sai ao lado do Hotel, e não precisa ser hospede para percorrer. Custa caro, sim, mas é um passeio muito legal, que sai dali, e vai pelo Rio Moscou até ao lado da Praça Vermelha, passando ao lado do Parque Gorky, que infelizmente não conseguir ir, mas deu para ter uma ideia de como é, só de passar ao lado e ver aquele monte de russo branquelo tomando sol. Do parque também é possível avisar o prédio da Universidade de Moscou, que eu havia visitado um dia antes, e o estádio onde foi realizada a abertura das Olimpíadas de Moscou (lembra do ursinho chorando?). O cruzeiro também passa ao lado daquela estátua gigantesca de Pedro, o Grande, que eu vi de perto no primeiro dia, e outros lugares legais. Quando se faz o passeio no fim do dia, tem-se também as luzes da cidade se acendendo, o que é bem legal. O passeio é um pouco demorado, há um restaurante bem caro e legal no barco, e volta para o mesmo lugar no final. Dali sai andando e fui em direção à estação Kiyevakaya do Metrô, onde há um shopping bem legal, e deu para descansar um pouco. No caminho uma passada pela Rua Bolshaya Dorogomilovskaya, de onde se tem uma vista muito legal do centro financeiro de Moscou. Infelizmente dessa vez não fui até lá. Na volta ao hotel uma paradinha na Praça Vermelha, a última, para ver as luze.
4º dia - Não deu para fazer muito nesse dia, a não ser ir até o aeroporto. O acesso ao aeroporto é fácil, de metrô até a estação Belorussky, depois trem Aeroexpress até o Aeroporto Sheremetyevo. Sair do aeroporto de Moscou de avião foi fácil, mas certamente chegar de trem foi mais fácil.
Notas:
1) Aprenda o alfabeto cirílico. Não precisa ser fluente, mas aprenda pelo menos a ler o que está escrito. Ajuda muito;
2) No metrô, baixe um aplicativo. Há aplicativos muito bons e que te mostram qual metrô tomar, onde você está, e como ir até onde você quer ir;
3) Não vi bêbados mas dizem para evitá-los;
4) Não interagi nenhuma vez com a Polícia. Li recomendações para evitar a polícia.
5) Todo lugar tem detectores de metais, não se assuste, a maioria parece nem funcionar.
6) Cheguei morrendo de medo, saí apaixonado.
7) Relaxe, Moscou é uma cidade incrível, quero voltar.