quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Roma - Roteiro de 2 dias, incluindo um assalto.

Quando visitei Roma, a cidade já não era totalmente desconhecida pra mim. Eu havia estado lá um ano antes, mas em uma passagem rápida, apenas vindo de Milão de trem, e a caminho do Aeroporto Fiumicino. Naquela vez eu passei muito rapidamente pela cidade, apenas o tempo necessário para ir até o Coliseu e tirar uma foto. 
Dessa vez cheguei ao Termine, a estação ferroviária de Roma, no fim da tarde de uma segunda-feira. Como eu já havia estado lá antes, fui do trem direto para o Metrô, localizado no subsolo do Termini, onde entrei em uma fila e comprei minha passagem em uma máquina, seguindo em direção à Estação Lepanto, onde localizava-se o Hotel Gerber, minha hospedagem em Roma. As estações de trem em Roma são antigas, poucas possuem escada rolante, e quando você carrega uma mala grande como a minha, é sempre complicado subir escadas. Quando eu estava saindo de uma dessas escadas na Estação Lepanto, praticamente no último degrau antes da rua, carregando minha mala de 20kg, senti algo no meu bolso de trás. Coloquei rapidamente a mão no bolso e percebi que minha carteira havia desaparecido. Olhei pra trás e não havia ninguém, voltei um pouco, até as catracas, pra ver se havia caído no chão, sonho meu né. Sem algo que eu pudesse fazer segui fui em direção ao hotel. Por sorte, só havia 70 euros na carteira. Quando eu viajo, normalmente eu espalho o dinheiro e os documentos por vários locais, deixando apenas alguns euros no bolso para emergências, como táxi, almoço, ou alguma coisa que eu queira comprar. No hotel o recepcionista me disse que isso era bastante normal em Roma. Só faltou ele dizer que como eu era do Brasil eu deveria estar acostumado a coisa pior. Pior mesmo é que ele tinha razão se pensou isso. Roma verdadeiramente não é uma cidade perigosa, mas furtos, que no Brasil consideramos até inocentes, são bastante comuns na Europa (tentaram me roubar a carteira também em Barcelona). Fui dormir com raiva de Roma, mas aprendi que nunca se deve carregar carteira no bolso de trás. Vou repetir, NUNCA UTILIZE CARTEIRA NO BOLSO DE TRÁS na Europa.


No dia seguinte acordei com um pouco de ressaca do furto, tentando me conformar com o que havia acontecido, e com os 70 euros que perdi. Tomei café da manhã e fui em direção ao Castelo de Sant'Angelo. Passei em frente mas não quis entrar. Eu estava no modo pão duro, então queria ver outras coisas. Atravessei a Ponte Sant'Angelo, tirei fotos, e segui andando na margem do Rio Tibre. Gosto de andar, ver as coisas aos poucos, observando as pessoas, então não me importo muito com o tempo, apenas vou caminhando. Fui em direção à Piazza Navona, uma praça simpática, com duas fontanas no centro,  a igreja Sant'Agnese in Agone, construída no século XVII, e uma representação diplomática do Brasil. Aproveitei para tomar um delicioso gelato (um dos vários), e segui em direção ao Pantheon, bem perto dali. Cheguei no Pantheon e achei incrível aquele lugar, Por fora não dei credibilidade, mas ao entrar e ver aquele teto, com aquele feixe de luz entrando no meio do espaço, fiquei encantado. Gastei um tempão lá, admirando aquela construção, até achar que era hora de ir embora e voltar a caminhar, dessa vez em direção a famosa Fontana di Trevi. Cheguei na Fontana di Trevi poucos meses depois de uma grande restauração, então a Fontana está limpíssima. O problema é chegar perto do monumento. É muita gente ao redor, uma torre de babel, com gente do mundo inteiro, se acotovelando para tirar foto, ou jogar uma moeda lá. Dizem que quem joga moeda lá, volta lá. Não joguei. Será que voltarei? Da Fontana segui pela Via del Corso em direção à  Piazza Venezia, onde está o Monumento Nacional a Vitoriano Emmanuel II, que eu havia visto de longe, quando fui pela primeira vez ao coliseu. Fazia calor em Roma naquele mês de maio, mas mesmo assim entrei no Monumento, tirei fotos, encarei escadas, até me cansar e resolver seguir. Atrás do Monumento há a Via dei Fori Imperiali, que Liga o Monumento ao Coliseu. No meio  do caminho uma parada no Fórum Romano. Confesso que não sabia muito bem o que era o Fórum Romano, talvez ainda nem saiba, mas como o preço do ingresso incluía o Fórum e o Coliseu, e eu estava a caminho do Coliseu, resolvi comprar e conhecer o local. É um lugar interessante, mas como eu não tinha muitas informações sobre o local, acho que poderia ter sido melhor se tivesse lido algo antes. Mesmo assim andei por tudo, tentei entender como funcionava, e valeu a visita. O roteiro dentro do Fórum Romano terminou em um grande gramado, de onde se tinha uma vista bonita do Coliseu. Já era fim de tarde, mas mesmo assim resolvi entrar no Coliseu. Provavelmente por ser fim do dia não havia filas, simplesmente cheguei, apresentei o mesmo ingresso que eu havia comprado para o Fórum Romano, e entrei. Acho que fiquei umas 2 horas lá dentro, até começarem a pedir para as pessoas saírem porque iria fechar. Vi o Coliseu de todos os ângulos possíveis, e fiquei um tempo sentado lá, observando e tentando imaginar toda a história que aquele lugar testemunhou. Quando o sol finalmente se pôs, e as luzes ao redor acenderam, ficou excelente para tirar fotos. Jantei por ali mesmo, em um dos vários restaurantes existente atrás do Coliseu, depois peguei o Metrô na Estação Colosseo, e fui em direção ao hotel. Com esse roteiro todo confesso que até esqueci o assalto e os 70 euros. 
O segundo dia inteiro de visita a Roma eu reservei para o Vaticano. Como o hotel em que eu fiquei era muito próximo ao Vaticano eu acordei, tomei café da manhã, e segui direto pra lá andando. Já próximo ao Vaticano da pra começar a perceber a movimentação diferenciada, de gente mais velha, que vai fazer esse tipo de turismo religioso. Entrei por uma lateral, localizada na Via Vespasiano. Logo de cara encontrei uma fila para entrar na Catedral Fiquei uma meia hora ali, sem entender nada, e sem saber o que estava acontecendo. Era uma quarta-feira, então a visitação a Catedral no Vaticano começa um pouco mais tarde, pois na parte da manhã das quartas-feiras o Papa realizada um tipo de missa na Praça de São Pedro. Infelizmente quando eu cheguei (não gosto de acordar cedo), a cerimônia já havia terminado, então o Papa já não estava mais lá. Fui a Roma e não vi o Papa. Às 11 horas abriram os portões, e toda aquela multidão entrou. Percebi que eu havia ficado na fila a toa. O acesso ao prédio do Vaticano é simples e fácil. Alguns detectores de metais e eu já estava lá dentro. Realmente é um prédio gigantesco, com muito pra ver, mas nada que vá fazer alguém ficar lá o dia todo. Há uma visitação ao topo do prédio, mas como tem que pagar, depois encarar escadas, eu não fui. Visto a Catedral eu queria mesmo era conhecer a Capela Sistina. O acesso à Capela Sistina é feito na lateral do Vaticano, e a Capela fica dentro do Museu, então tem que se comprar um ingresso para o Museu. Comprei o ingresso e entrei. O Museu do Vaticano é muito legal, gigantesco, então se prepare para andar bastante. No começo fui olhando tudo, mas confesso que há tanto o que olhar, em tantos salões, que depois de duas horas eu queria mesmo chegar na Capela Sistina. Sim, foram 2 horas entrando de salas em salas até finalmente entrar na Capela. Lá dentro uma multidão olhando para o teto e uns italianos pedindo em inglês para não tirar fotos. Entrei, me posicionei ao lado do fluxo, e fiquei observando aquelas pinturas. De tudo que vi, posso dizer uma coisa, Michelangelo era um gênio. Valeu a pena todo o percurso dentro do Museu do Vaticano, e aquela multidão toda ao meu lado.  Como havia algum tempo ainda resolvi encerrar meus dois dias em Roma em Trastevere, um bairro simpático, cheio de restaurantes incríveis, música ao vivo, e gente bonita. Fui caminhando do Vaticano até lá, chegando no fim da tarde, quando já havia muita gente. Trastevere é um  tipico bairro italiano (não que o resto da cidade não seja). Dali, segui andando novamente até o Coliseu, me despedi da Itália, e peguei o Metrô de volta ao Hotel. 
Foi assim que tive boca e fui a Roma. Gostei da cidade, do clima, e a pesar de ter sido roubado, não fiquei com marcas ruins em minha memória. O furto eu deletei, e substitui o arquivo pela lembrança gastronômica. Bom, né?