domingo, 20 de setembro de 2015

Greve da TAP e a cansativa viagem pela Itália - 24 horas sem banho, sem hotel, e sem dormir.

Tudo começou em Lisboa, de onde eu deveria pegar um avião da TAP com destino a Roma. Tudo estava indo bem, fui até o Aeroporto de Lisboa, fiz o check-in, despachei as bagagens, fui até a sala de embarque e fiquei esperando. Depois de algum atraso um funcionário da TAP veio e trouxe a assustadora informação de que a TAP estava em greve e não teria o voo para Roma. A maioria se revolvtou, principalmente os italianos que xingaram até a última geração dos grevistas da TAP. Eu fiquei calmo, peguei minha mala novamente e fui até o balcão da TAP. Consegui remarcar minha passagem apenas para 3 dias depois, e com destino a Milão. Bom, como a greve da TAP ainda duraria 10 dias, melhor ir pra Milão e de lá continuar minha viagem.
Aproveitei meus dias seguintes em Lisboa e, no dia certo, fui até ao aeroporto embarcar para Milão. Foi mais ou menos assim:

15h00 - Embarque para Milão - Até aí tava tudo certo. O avião saiu no horário, o voo foi tranquilo, e pousamos no horário previsto em Milão. Bom, Milão não estava nos meus planos, então fui procurar como chegar até Roma a partir de Milão.

18h00 - Chegada na Estação Central de Milão - Depois de pegar um trem desde o Aeroporto, cheguei ao centro de Milão. Lá mesmo achei uma máquina e comprei uma passagem para Roma. Havia algumas opções, poderia ser um trem rápido que me levaria na mesma noite a Roma, ou um trem noturno, bem mais barato, que chegaria, depois de uma conexão em Bologna, a Roma pela manhã. Como eu já havia tido prejuízos com a greve da TAP escolhi o mais barato, com a conexão em Bologna. A lógica era de que assim eu dormiria no trem e economizaria o hotel. Como o trem só sairia 23h00, fui dar uma volta rápida e jantar em Milão. Malas deixadas na estação, fui conhecer a região. Fiquei com uma imensa vontade de voltar. Milão parece uma cidade moderna, limpa, e bastante agradável. Tirando eu ter pago 5 euros em uma lata de refrigerante, a impressão de que fiquei é de uma cidade legal.

22h30 - Embarquei para Bologna - O trem era um tipo de trem suburbano, provavelmente que leva pessoas que moram em Bologna e estudam ou trabalham em Milão. Eu, a essa hora, começava a ficar cansado, mas nem deu pra dormir porque o trem tinha muitas luzes, e como eu estava com uma mala enorme, tive que ficar em um banquinho perto da porta. 

01h00 - Desembarquei em Bologna. Estava tudo fechado, era uma estação pequena, sem lanchonete (e eu não havia jantado), com um banheiro que não dava pra encarar, sem nem lugar pra sentar. Fui até a plataforma e fiquei lá esperando o trem, que deveria passar apenas perto de 03h00. A única esperando era de que, ao entrar no trem, eu poderia dormir né. Mal eu sabia o que me esperava.

03h00 - O trem chegou para me levar a Roma - Meu Deus, aquilo era um trem? Cadê aqueles trem bonitos da Europa? Eram cabines, cada uma com 6 polronas, 3 de frente para as outras 3. Na minha cabeça uns franceses folgados que estava dormindo ocupando todas as poltronas. Tive que acordá-los para entrar na cabine. Um fedô de chulé insuportável e aquele povo roncando dentro da cabine. Quem disse que eu dormi. Chegou uma hora que não aguentei e saí da cabine e fiquei no corredor. Impossível ficar lá dentro. Resultado, praticamente não dormi.

07h00 - Chegada a Roma - Com fome, sono, sede, desembarquei na Estação Termini de Roma e fui procurar como chegar ao Aeroporto. De lá eu pegaria um voo, já comprado, para seguir meu caminho até Praga. O voo para Praga seria apenas as 14h00, então deixe tudo na estação e fui explorar a cidade. Resolvi pegar um metrô e ir ao Vaticano e ao Coliseu. Eram poucas horas, eu estava muito cansado, então achei que daria pra pelo menos ver rapidamente esses lugares. E deu, voltei a Termini a tempo de pegar o trem. O problema é que, ao me dirigir ao trem encontrei uma mensagem informando que os trens não estavam circulando. Oi?

13h00 - Finalmente peguei um trem para o aeroporto de Roma. Não era o trem oficial, já que o aeroporto havia pegado fogo... sim, havia pegado fogo no aeroporto de Roma.
Termini - Roma


14h00 - Cheguei no aeroporto e estava um caos. O terminal principal, de onde sairia meu voo pela Vueling estava fechado devido a um incêndio. Colocaram todo mundo em um terminal pequeno, e aquele monte de italiano falando sem parar transformou o local em um dos piores locais do mundo para se estar, principalmente depois de uma noite inteira sem dormir.

17h00 - Finalmente meu voo pra Praga saiu. A essa altura meu sono era tanto que dormi enquanto o avião estava taxiando na pista. De qualquer forma uma semsação de alívio tomava conta de mim...  eu estava de volta ao meu roteiro original. 

Depois disso a impressão de que fiquei sobre a Itália foi a pior possível Acho que preciso voltar lá, como calma, pra conhecer de verdade o lugar.

20h00 - Cheguei ao hotel de Praga, jantei, e dormi como eu merecia, 32 horas depois de sair do hotel de Lisboa. 

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

De Dublin a Londres sem utilizar avião

Outro dia me perguntaram qual era a melhor forma de ir de Dublin para Londres. Bom, a melhor sempre depende. Pra alguns, a melhor pode ser a mais rápida, já para outros, a melhor pode ser a mais barata, e outros podem procurar aquela com melhores paisagens.
Escolhi ir de Ferry porque já tinha ido de avião outra vez, e porque minha curiosidade em ver o chão sempre prevalece. De férias sempre se tem tempo, e ficar sentadinho em um ferry, ou em um trem, é sempre um instante para descansar enquanto a paisagem passa pela janela (bom modo de pensar, não?)
Peguei um taxi em uma manhã fria de sábado na cidade de Dublin. Do centro, pedi para que o taxista me levasse ao porto, sem me preocupar em qual lugar do porto eu teria de ir. Sei lá, talvez na minha cabeça de gente do interior o porto era um lugar único e pequeno, como o porto lá de Presidente Epitácio...  ah, esqueça, provavelmente você leitor nem tem ideia do que seja Presidente Epitácio.
Bom, como eu não sabia para onde ir, pedi para que o motorista me levasse até o terminal da Stena Line (o bilhete estava dentro da mala e não tinha como eu pegar lá no porta malas e ver). No caminho fui me assustando com o tamanho do porto. Todo o tempo pensando e avaliando como é que eu me viraria para ir até o terminal da Irish Ferries caso não fosse a Stena Line
Chegamos no terminal da Stena Line e o próprio motorista, bastante simpático e falante, sugeriu ficar esperando no carro até que eu confirmasse se era aquela mesma a companhia. Foi minha sorte, já que não era aquele terminal mesmo..
Uma pena, pois do terminal da Stena Line estava saindo o Ulysses, o maior ferry do mundo, e pra quem quer experimentar coisas novas, é muito mais legal pegar um ferry grandão.

Enfim, fui até o terminal da Irish e peguei o Swift, um ferry rapidão, porém menor, e sem o glamour do Ulysses (na foto ao lado Ulysses é o do meio, Swift o abaixo).
O Swift atravessa rápido o Mar da Irlanda, e no caminho ainda ultrapassamos o Ulysses, que havia saído um pouco antes. Na chegada eu, por bobeira minha, fiquei totalmente perdido. Na verdade, ainda dentro do navio o comandante, ou sei lá quem, informou como seria a saída, por qual porta deveríamos sair, e como deveríamos proceder. Como eu estava prestando atenção à paisagem, não prestei atenção ao que ele disse, e achei que não era importante, tipo, só seguir o fluxo. Quando o navio atracou eu não sabia pra onde ir. Desci até o local onde estavam estacionados os ônibus, achei que tinha que entrar em algum daqueles ônibus, já que todos estavam dentro deles, mas qual ônibus entrar. Finalmente o motorista de um me explicou como fazer. Voltei para o andar de cima e achei todos que como eu, haviam entrado a pé, e estavam em uma salinha esperando a vez de desembarcar. Primeiros eles desembarcam os veículos, depois os pedestres.
Chegamos a Holyhead, no País de Gales. É uma cidade pequena, bem pequena mesmo. Saí do porto e fui até a cidade pegar libras nas máquinas automáticas. Devia ter umas 10 pessoas na rua, todas olhando pra mim que arrastava aquela mala enorme. Devem ter achado que eu era terrorista, ou sei lá o que. O acesso ao centro é fácil, basta pegar uma passarela que saí de dentro do terminal e termina na rua principal.
Caminhei um pouco, conheci rapidamente o centro, tentei sacar libras em uns 15 caixas automáticos e, quando consegui, voltei para pegar o trem em direção a Londres. Não tinha muito pra fazer naquela "mega" cidade.
Como sempre, o trem saiu pontualmente.
Odeio aquelas poltronas que você fica sentado de frente com outras pessoas. Não sei quem foi que criou aquilo, mas foi exatamente onde me colocaram. Na minha frente uma família inteira que não parava de comer sanduiches. Para quem senta do lado esquerdo do trem, a paisagem é mais legal, principalmente nas praias. Eu, azarado, peguei o outro lado.
Em Londres a estação final é Euston, ao lado da St. Pancras, de onde se acessa facilmente a cidade toda. Essa é uma grande vantagem para quem vai de trem. Aeroportos são sempre distantes. 
Enfim, fica a dica pra quem curte trem ou ferry. É uma viagem mais barata, mais bonita, e tem ainda como brinde um passeio pelo País de Gales, porém é um dia inteiro de viagem.