sábado, 26 de novembro de 2016

Certificado Internacional de Vacinação - carteirinha de vacinação de viajantes

Não foi apenas uma vez que eu deixei de comprar uma passagem em promoção para um lugar simplesmente porque eu não tinha uma carteira de vacinação internacional. Depois de tanto enrolar eu resolvi fazer a minha e vou tentar explicar como é fácil e simples.
Em primeiro lugar, entre no site da Anvisa e faça um cadastro. O dia em que você for tomar a vacina, é com base nas informações que você colocar nesse cadastro que vão imprimir sua carteirinha de vacinação. A moça que aplica vacina apenas aplica vacina, não preenche dados, então preencha corretamente.
Preenchido os dados, vá até a lista de lugares onde se aplica a vacina, procure um lugar perto de você, e vá até lá. Lembre-se que, em locais particulares, você vai pagar a vacina. Saiba também que não é todo lugar que aplica a vacina, que emite a carteirinha internacional. Posso chamar o certificado de carteirinha? Enfim, procure na sua cidade os lugares chamados de SMS na lista da Anvisa. Em São Paulo um lugar muito recomendado é o Hospital das Clinicas. Falam muito bem de lá, tanto que peguei o carro e resolvi ir até lá tomar a vacina. Graças ao trânsito da Marginal desisti.
Na impossibilidade de ir até a Paulista resolvi arriscar em um posto de saúde, meio com um pé atrás, achando que não conseguiriam imprimir o Certificado lá. Achei um posto de saúde na região da Berrine, perto da minha casa, onde se aplicava a vacina e emitia o Certificado. Fui então até lá no horário de almoço. Entrei, peguei uma senha, e em menos de 5 minutos fui chamado. Na sala a moça já sabia do que se tratava, fez perguntas básicas sobre alergia a ovo, encontrou no sistema da Anvisa o cadastro que eu havia feito, e apenas preencheu, com a senha dela, as informações pertinentes a vacina. Após isso aplicou a vacina e imprimiu a carteira de vacinação. Não demorou mais que 10 minutos e eu já estava vacinado. No final, ela me alertou que poderia acontecer alguma reação, mas nada aconteceu. Em 10 minutos, em um posto de saúde, tudo foi resolvido.

Bem vagabundinha a qualidade desse certificado

sábado, 19 de novembro de 2016

Comprando passagens com desconto - Otimizando custos com passagens.

Muita gente me pergunta como comprar passagens pagando pouco. Gente, não há mágica, temos é que observar o comportamento dos preços, ficar atento às promoções, e analisar bem quais as melhores datas. Comprar passagem para viajar aos domingos a noite nunca será uma boa ideia.
Dentre algumas dicas que eu costumo dar, costumo seguir as seguintes:

Programa de Fidelidade - Confesso que sou fã do Smiles. Talvez seja um pouco de saudosismo da Varig, não sei, mas gosto desse programa. Minha dica é ficar sócio do Clube Smiles. Você paga um pouco por mês, e vai juntando milhas. Outra coisa interessante é que quando você fica sócio, eles dão algumas milhas de bônus. Graças a essas milhas bônus eu consegui ir até Buenos Aires em um fim de semana. Conforme vamos juntando milhas, no clube ou no cartão de crédito, as coisas vão ficando mais claras. Algo que eu faço muito é usar milhas para abater um pouco o valor da passagem, pagando um valor menor combinando milhas com reais.  A Azul também tem um programa parecido com o Clube Smiles, no qual você também pode ficar sócio e pagar um pouco todo mês. Eu pago 30 reais por mês na Azul, e 100 reais por mês na Gol (Smiles). Ok, 100 reais por mês até que pesa um pouco, mas me permite voar pagando a passagens por preços muito interessantes. Pra 2017 já comprei passagens de janeiro e maio, tudo fazendo a jogada de usar milhas + pagar um valor complementar.

Exemplo de onde procurar os "múltiplos destinos" no site da American Airlines e Air France


Stopover - Esses dias um amigo queria fazer um voo para Miami, e de lá para o Caribe. Fez simulações e o valor estava próximo de 6 mil reais por pessoa. Gente, nunca, eu disse NUNCA compre apenas uma perna do voo. Normalmente é muito caro. Ele queria fazer o seguinte trajeto:
São Paulo - Miami
Miami - Princesa Juliana
Princesa Juliana - São Paulo. 
A American Airlines costuma explorar quando você pesquisa assim. Minha dica, vá até o site da companhia aérea e selecione algo como "multiplos destinos". Lá, trace seus destinos, tentando, se possível, voltar ao local de origem. Esse mesmo amigo, após minha dica, fez a seguinte simulação:
São Paulo - Miami
Miami - Princesa Juliana
Princesa Juliana - Miami
Miami - São Paulo.
O valor caiu pela metade!

Aproveitando esses "multimplos destinos", faça várias pernas em uma única compra. Um exemplo, em minha última viagem para a Europa eu queria ir até a Itália. Podeira comprar uma passagem de ida e volta para Milão, claro, mas será que vale a pena? Ao invés de comprar esse tipo de passagem, entrei no site da Air France e comprei São Paulo - Paris, Paris Milão na ida, e na volta Dublin - São Paulo. Com isso paguei o mesmo valor da primeira situação, mas ganhei uma parada em Paris na ida, e a volta saindo de Dublin, sem precisar voltar até Milão, meu destino inicial. Isso chama-se Open Jaw, e é muito eficaz. Na mesma viagem eu comprei uma passagem de Milão para Helsink, e de Moscou para Londres (com parada em Helsink na volta). Com isso praticamente eliminei várias passagens de uma perna só. Talvez seja complicado entender, mas faça o seguinte, vá até o "multiplos destinos" na hora de pesquisar e vá simulando. Tenho certeza que da pra achar coisa bem legal.

Última dica, compre passagens evitando dias mais concorridos. Claro que sexta-feira a noite é um dia cujas passagens custam caro, e que domingo a noite, ou segunda pela manhã, também. Prefira dias como terças, quartas, ou quintas, que são menos concorridos, e pelo mesmo motivo, mais baratos. Evite horários mais desejados. Lembre-se, você está viajando, então qual o problema de esperar 2 horas no aeroporto por uma conexão. É o tempo pra dar aquela observada nas lojas do aeroporto, comer aquela comida que você não encontra em sua cidade de origem, e ainda dar uma navegada na internet usando a conexão do aeroporto.

É isso, pesquise, aprenda a comprar, e viaje.  :)


sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Argentina - Atualização Outubro de 2016

Há muita coisa na internet sobre a Argentina, e por existir muita coisa, há muita coisa desatualizada, principalmente para um país da América Latina que sofre tanto com mudanças. Diferente da Europa, onde as coisas são estáveis, na América Latina há uma constante mudança, principalmente na economia. Vamos lá:
Aproximação Aeroparque


1 - Moeda
Já levei dinheiro de todas as formas para a Argentina. A primeira vez levei Traveler Cheques, que me disseram era melhor. Da última eu havia levado reais. Dessa vez, depois de procurar bastante, resolvi levar dólares. Cheguei ao Aeroparque fui direto fazer o câmbio. A cotação para o dólar realmente é boa, mas para os reais, é um absurdo. Pagam muito pouco por nossa moeda. Eu tinha em meu bolso dólares e reais, e aí foi a primeira coisa estranha, eles só trocam uma moeda. Se você quiser trocar dólares, só leve dólares. Não consegui trocar os meus reais. Era um sábado, então ainda bem que tinha bastante dinheiro, porque as casas de câmbio do aeroporto estavam todas fechadas.
Na segunda-feira resolvi trocar os reais no centro. As melhores casas de câmbio localizam-se na Calle Sarmiento, próximos da Calle Florida, com uma boa cotação, muito mais vantajosas que a cotação do aeroparque. Cheguei lá, escolhi a casa de câmbio, e entrei na fila. Quando chegou minha vez me pediram o passaporte ou o RG com um tal papelzinho. Como eu havia entrado no país com o passaporte, eu não tinha o tal papelzinho, então não me puderam atender. Outro problema era o valor mínimo. Só trocavam no mínimo 100 dólares, ou seja, mais ou menos 400 reais. Como eu só pretendia ficar no país mais um dia, não valia a pena. A opção foi ir até uma agência do Itaú e fazer um saque no valor que eu pretendia. 
Resumindo, leve dólares e habilite seu cartão de débito. Se tiver crédito também é válido. Não leve reais.


Corrientes, a tradição


2 - Aeroparque
Eu nunca tinha desembarcado no Aeroparque, sempre Ezeiza. O Aeroparque é um aeroporto muito mais bem localizado, próximo ao centro, como Congonhas em São Paulo. Já Ezeiza é longe, como Guarulhos. Apesar disso, o Aeroparque é um aeroporto muito modesto. Normalmente o embarque é remoto, então você tem que pegar aqueles ônibus na pista. A minha mala demorou uma eternidade para aparecer na esteira, e perdi mais 50 minutos na fila da única casa de câmbio do aeroporto. Pra quem puder levar alguns pesos, para o taxi, ajuda. O taxi é outro problema, já que todo mundo manda evitar os taxis comuns, que ficam na porta do aerporto. Por outro lado os Remis são bastante caros. Por fim, peguei um taxi comum para ir, pagando 180 pesos (fiquei no Ibis Congresso), e 260 pesos para voltar ao aeroporto de Remis.
O motorista do taxi, na ida, não tentou me enganar. Conheço bem o caminho e fui observando. Foi tudo certinho. Na volta optei pelo Remis para evitar o trânsito, já que meu voo era no início da noite.

Puerto Madero, sempre muito elegante

3 - Metrô
Uma novidade, desde a última vez que havia ido, foi a existência de um tipo de bilhete único para fazer o pagamento. O cartão pode ser comprado em várias bancas de jornal na Calle Florida, e a carga eu fiz dentro do da própria estação. É muito fácil entrar com o cartão. Paguei 50 pesos no cartão e fiz uma carga de 60 pesos. Acabei gastando 45 pesos e sobrou 15, que vou guardar pra próxima.

4 - Passagens
O valor que os aeroportos cobram pela taxa de embarque nos aeroportos argentinos é ridículo. Eu não paguei a passagem porque troquei por milhas Smiles, mas as taxas de embarque ficaram em quase 500 reais. Tudo bem, se o Aeroparque fosse um grande aeroporto, até entenderia esses valores, mas as rodoviárias de São Paulo são muito melhores

5 - Preços
Os preços na Argentina não estão muito agradáveis para nós brasileiros. gastar 200 pesos é fácil. Um alfajor, 20 pesos. De toda forma da pra passar um dia por lá com 800 pesos

6 - A cidade
Buenos Aires continua uma cidade bem agradável. Claro, você está na América Latina, então é normal encontrar os problemas latino americanos que já conhecemos, mas vale sempre uma voltinha

Enfim, é isso...    :)

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Bate e volta de Helsinque para Talim

Até bem pouco tempo atrás, se alguém me perguntasse onde fica Talim, eu não teria a menor ideia. Até hoje, apesar de já ter estado lá, eu me confundo em responder de qual país estou falando. A verdade é que a capital da Estônia é bastante desconhecida para nós brasileiros. Quando eu disse que passaria por lá, a maioria nem sabia exatamente o que era a Estônia. Mas se eu sabia tão pouco, porque resolvi ir até lá? É simples, eu gosto de conhecer lugares, e dentro desse espírito nômade, percebi que passaria uns dias em Helsinque. De Helsinque é possível se visitar muitos lugares legais. Pode-se ir até os caros destinos como Dinamarca, Suécia, ou Noruega, pode se ir até a Rússia, e pode-se ir até alguns destinos mais baratos de ex repúblicas soviéticas, como a Estônia ou Lituânia. A ideia original era ir até a Russia, pra onde eu iria três dias depois de chegar a Helsinque, e no período que ficaria na cidade, descobri uns passeios interessantes até Talim, capital da Estônia, e que fica pertinho de Helsinque, apenas separada pelo Mar da Finlândia.
A passagem pode ser comprada pela internet, há várias empresas que fazem a travessia de um lado para outro. Do hotel em que eu fiquei, sempre via uns navios grandes, da empresa Viking Line, mas apesar dos esforços, não consegui comprar o ticket com eles. Acabei comprando com a empresa Silja Line, a única disponível. O grande problema é que o dia que eu tinha para fazer esse passeio era um sábado, e sábado é o dia em que os finlandeses aproveitam para ir até a Estônia e fazer compras, dentre as quais bebidas, artigo com grandes restrições na Finlândia, mas que na Estônia é mais facilmente adquirido. Comprado pela internet fui até o porto um dia antes, conhecer o local de onde sairia meu navio. Como eu disse, o porto de onde sairia o navio da Viking Line era perto do meu hotel, mas esse outro não. Foi bom eu ter ido até lá, porque quando cheguei, descobri que o navio sairia de outro lugar, ainda mais longe. Apesar de mais longe é facilmente acessado pela incrível rede de bondes de Helsinque.

No dia pela manhã me apresentei, entrei no navio, e seguimos para Talim. O navio é grande, cabem carros e  pessoas sem carros. São vários andares distribuídos entre salões de restaurante, áreas para recreação infantil, um terraço gelado, e camarotes. Como todo pobre eu fui na geral, e como o navio tava lotadaço, era pegar algo pra comer, arrumar um lugar pra sentar, e não sair mais dali. Até tentei fazer isso, mas confesso que vendo aquele navio andar tive muita curiosidade em conhecer tudo, então não fiquei sentado. Após comer me levantei, sabendo que não acharia mais lugar para sentar. Acho que em dias de semana deve ser um pouco mais vazio. Sábado realmente é o dia de ouro daqueles navios.
A viagem é legal, em clima de festa. Chegando no porto de Talim confesso que a vista da cidade é deslumbrante. Ao desembarcar, como estamos entrando em outro país, tem um certo trâmite burocrático, mas nada especial. Acho que nem da pra ser, já que tem um navio lotado chegando. Saindo do porto da pra ir a pé até o centro de Talim, é só seguir as torres das igrejas. A cidade é incrível, muito mais que eu pensava. Fiquei 8 horas andando por tudo lá, e não tem como ser menos. Há muita coisa pra ver. No final, foi voltar andando até o porto, pegar o navio, e voltar para Helsinque. Cheguei na capital finlandesa por volta de 22h, mas como eu disse, o transporte é rápido e não demorou mais que meia hora e eu já estava dentro do hotel. Hensinque é uma dessas cidades irritantes onde tudo funciona muito bem.

domingo, 14 de agosto de 2016

São Petersburgo a Moscou de Trem, e a chegada ao Metrô de Moscou

São Petersburgo é uma cidade muito legal, merece um post só pra ela, por isso não vou falar muito aqui. Enfim, fiquei hospedado relativamente perto da Moscow Station, de onde saem os trens para Moscou. Como sou precavido, um dia antes do embarque eu fui até a estação. Acho que fiz muito bem. Fui no mesmo horário em que meu trem sairia no dia seguinte, identifiquei qual era a plataforma e consegui ir até o trem, tudo isso para evitar o desespero de não conseguir me encontrar naquela estação. Fiz bem porque a estação, embora possua uma vasta sinalização, é toda sinalizada em Russo, então pra nós, mortais latino-americanos, aquilo é incompreensível. 
Leningradsky Station - de onde saem os trens para Moscou
Feito isso, no dia correto arrumei minhas coisas e, após uma pequena caminhada, entrei na estação. Cheguei cedo, e como já sabia onde o trem pararia, fiquei por ali esperando. O trem que liga São Petersburgo a Moscou chama-se Sapsan,
Sapsan, o trem bala russo
 que é o nome de um falcão russo. Entrei no trem depois de passar por um detector de metais, iguais aqueles dos aeroporto. Acho que os russos tem medo de alguém levar uma bomba no trem e explodir dentro de Moscou. Como a passagem é bem barata para nossos padrões, comprei de primeira classe. É que o rublo anda bem desvalorizado, então ficou muito barata a passagem de primeira classe, com toda aquela paparicação, igual a gente tem nos aviões. A passagem pode ser comprada diretamente no site da empresa ferroviária da Rússia. Na verdade, vários locais vendem a passagem, mas se comprar diretamente no site, não tem que pagar comissões, então a passagem fica bem barata. Ao sair a ferromoça, ou comissária do trem, ou sei lá como se chama, trouxe umas sandálias para que eu me sentisse mais confortável. Depois veio o cardápio com a comida que seria servida. Eu escolhi a comida ser servida porque tinha medo de não saber pedir comida em russo e acabar ficando com fome. Mas foi besteira, já que a moça que servia a comida falava inglês, além disso, todos os anúncios do trem eram feitos também em inglês. A viagem é tranquila, e a vantagem de ir de trem, em relação ao avião, é a possibilidade de ver a paisagem da Rússia. Além disso, os aeroportos de Moscou tem fama de desorganizados, então ir de trem é sempre uma opção. Além disso, o trem já vai direto para a Leningrad Station, mas sem acreditar que vá chegar lá e achar alguma coisa escrito assim, com o nosso alfabeto. Ao aproximar de Moscou a gente vai vendo a cidade, prédios, alguns novos lançamentos lembram muito São Paulo, outros pobres lembram a periferia de São Paulo. Não vi favelas, acho que com todo o frio que faz lá não tem como morar em favelas, mas é um lugar, assim como o Brasil, de grande contraste. Desembarque na estação de Trem e fui direto procurar a estação de Metrô. Nessas horas é sempre bom ter decorado alguma coisa no alfabeto cirílico. выход, que significa saída, é muito útil pra sair de dentro da estação de trem. туалет se você quiser ir ao banheiro, e карта метро, mapa do metrô, ou apenas метро, que significa Metrô. Sair da estação de trem foi fácil, e achar a estação de metrô também devia ser, já que ambas as estação deviam ser no mesmo prédio...  deviam, né. Deviam.
Achei que entrava, mas só saía
olha como é fácil entender isso
Saí da estação, vi o símbolo de metrô, então pensei, é ali. Fui até lá, mas lá era apenas a saída.  E onde diabus era a entrada desse negócio. Fiquei andando, com um certo metro de ser assaltado, até que caiu a ficha e resolvi voltar até a fachada da estação de trem. Bingo, a entrada era no subsolo. Enfim, entrei no metrô, e que metrô era aquele. Para pagar, fácil, é só ir ao guichê e dar o dinheiro trocadinho para a mulher. Ela te devolve um bilhete. Aí é ir até a catraca e fazer igual aos russos fazem. A estação de metrô ali chama-se Komsomolskaya, no nosso alfabeto, mas claro que nada lá é escrito em nosso alfabeto, então o nome que se lê nas placas é Комсомольская. Da pra decorar um negócio desses? A estação é linda, a mais linda que já vi, um verdadeiro palácio subterrâneo. Cheguei no horário de pico, próximo das 18h, o metrô estava bem lotado e eu morrendo de medo de assaltos. Estranho foi ao entrar no metrô, com medo de assaltos, encontrar várias pessoas olhando o celular, tablets, ou coisas eletrônicas parecidas. Talvez não seja tão perigoso quanto eu imaginava. Isso que dá ficar olhando postagens de blogs americanos. Eles dizem que Moscou é uma cidade perigosa porque não conhecem o Capão Redondo. A estação Komsomolskaya fica na linha circular, de onde é possível acessar todas as outras linhas. Uma dica. Se você entrar no trem, e os anuncios forem feitos em voz feminina, você está a caminho do bairro. Se os anuncios forem feitos em voz masculina, você está indo a caminho do centro. Isso ajuda, quando não se entende absolutamente nada do que está se falando. Outra coisa, arrume um mapa e baixe algum app do metrô. Isso ajuda muito. Cheguei no meu hotel quase 20h. Já começa a anoitecer. Do alto do 16º andar, naquele início de noite, olhava Moscou da janela e era emocionante. As vezes eu me sentia em São Paulo, tamanha grandiosidade daquela cidade... enfim, eu estava lá, Moscou.


Incrível estação de Metrô
Mapa do Metrô de Mosco - bom ter um no bolso




terça-feira, 12 de julho de 2016

Como é ir de Helsink para São Petersburgo de trem

Acordei em Helsinque e facilmente me dirigi para a Estação Central da cidade. Fácil porque se deslocar em Helsinque é muito fácil. Era da Estação Central que sairia meu trem para São Petersburgo. Visitar a Rússia sempre foi um sonho, mas o medo sempre falou alto, e então sempre fui adiando minhas idas, até que um dia percebi que passaria por Helsinque,  perto de São Petersburgo, então porque não ir? Pesquisei muito e meu maior medo era o idioma. Como me comunicar com as pessoas que não falam um idioma que eu entenda? Pesquisei muito e em todos os lugares que eu procurava, a afirmação era unânime de que, em São Petersburgo, por estar mais "perto" da Europa, falava-se bem o inglês, então resolvi, comprei a passagem pela internet, no moderno trem Allegro, no site da VR, empresa que administra o trem e pronto, agora não tinha mais volta. Voltando ao dia que saí de Helsinque, ou Helsink, ou Helsinca, ou sei lá como se escreve isso corretamente, cheguei a estação de trem de bem cedo pra não correr o risco de me atrasar. Eu havia impresso o ticket diretamente do site, quando comprei o bilhete, e estava em dúvidas se aquele já era o ticket para viajar, ou eu necessitava trocá-lo por outro (isso acontece em alguns lugares). Tentei em algumas máquinas, mas nada de confirmação, procurei a loja da VR no Terminal, mas como era domingo, a loja estava fechada (oi?). Finalmente resolvi perguntar a alguém no terminal. Confesso que sempre me surpreendo como as pessoas lá parecem ter prazer em ajudar, sem contar o inglês perfeito que falam. Enfim, aquele já era o ticket para viajar. Melhor assim, só ir para o trem.
Helsinki Raiway Station

Procurei o trem, achei o trem, e pronto, lá estava eu, sentadinho a caminho da Rússia. O trem começou a se mover, ao meu lado uns russos falavam alto, e aquilo me intimidava muito. Não dava para entender absolutamente nada do que eles falavam. Conforme o trem foi saindo de Helsinque, um funcionário da VR passou nas poltronas pedindo o passaporte. Como eu estava viajando com dois passaporte, mas o funcionário era finlandês, mostrei o passaporte europeu. Ele olhou, e perguntou onde estava o visto. Disse a ele que eu tinha passaporte brasileiro, e que brasileiros não precisam de visto. Ele pediu então o passaporte brasileiro,
olhou, e me devolveu. O trem continuou seu caminho pela linda Finlândia. Durante todo o trajeto é possível trocar euros por rublos, e foi o que eu fiz. Ainda comprei algumas coisas com rublos no bar do trem, assim consegui trocados para pagar o metrô na chegada. Várias estações pequenininhas passaram, em lugares muito bonitos, até que o trem começou a chegar perto da fronteira com a Rússia. Conforme o trem foi chegando, informaram que o restaurante estava fechando, e que a partir de determinado momento, não poderíamos nos levantar mais, nem para ir ao banheiro. Finalmente a fronteira da Rússia. O trem diminui a velocidade e então passou por um lugar cheio de arames farpados. Era a fronteira.
Fronteira entre Finlândia e Rússia vista do trem
Um pouco antes da fronteira, em um lugar chamado Vainikkalan, saíram os oficiais finalndeses, entraram os russos, e começaram a olhar o passaporte, um por um. Também entraram uns cães farejadores, bonitos e assustadores. Não sei o que aqueles bichos farejavam, mas acho que era a procura de bombas ou algo assim. A Rússia tem uma paranoia quase norte americana com medo de terrorismo. Um oficial da imigração parou do meu lado, pediu meu passaporte, olhou, e perguntou se eu tinha preenchido um papel onde temos que informar alguns dados de hospedagem e permanência. Como ninguém havia me dado tal papel, informou a ele que não. Ele jogou o papel em cima de mim, quase como se eu fosse culpado de algum crime. Preenchi rapidamente e devolvi. Ele então me devolveu uma via que deve ser apresentada no hotel, que fica responsável nossa regularização em território russo. Terminados os trâmites, o trem voltou a circular com velocidade normal. A partir da fronteira da Rússia, as coisas mudaram um pouco. Já não se via, pelas janelas, aqueles lugares tão perfeitos como na Finlândia, percebia-se um toque de pobreza naquelas vilas perdidas no meio do nada. A gente fica imaginando como era na época do comunismo, e impossível não imaginar o que aquelas paredes, muros, e árvores, não testemunharam. Certamente nossa imaginação é mais fértil que realmente foi. Outra coisa interessante é que, a partir da fronteira, todos os anúncios do trem são feitos em russo, e depois em inglês, ao contrário de como era feito até então. Mais algumas horas e o  trem foi então entrando em São Petersburgo. Juro que fiquei assustado. Se pudesse eu teria voltado dali mesmo. Aqueles prédios, dezenas e mais dezenas, todos iguais, alguns muito modernos, outros velhos, pareciam ter testemunhados outros tempos. Finalmente paramos na plataforma da estação. A estação fica em uma parte a céu aberto, onde deve ser bem frio no inverno. Peguei minhas coisas, saltei do trem, e uma placa indicava como sair da estação. Saí por uma rua lateral, onde muita gente oferecia serviços de taxi. Lembrou muito o Brasil. Eu já havia decorado o mapa da estação, então fui direto para o metrô, que ficava no mesmo prédio, mas com entrada pela frente da Estação. Eu já havia trocado o dinheiro no trem, então joguei o valor exato do preço do metrô pra moça do caixa, apontando pra ela o número um, com meu dedo indicador. Ela me deu uma ficha, que utilizei para entrar no metrô. E que estacada rolante era aquela. Gigantesca, demorei quase 2 minutos para chegar ao fim, que já sai diretamente na plataforma. Nessas horas ter estudado um pouco o alfabeto Cirílico ajudou. O metrô, bem esquisitão, se aproximou, eu entrei, ele começou a andar, e eu olhando aquelas pessoas, aquele trem, aqueles anúncios que eu não entendia nada, enfim, eu estava na Rússia. Uau...
Estação de Trem de São Petersburgo
Metrô maluco de São Petersburgo