domingo, 7 de setembro de 2014

Londres, amor a primeira vista... ou quase!

Cheguei em Londres em uma segunda-feira fria e chuvosa. Desembarquei em Heathrow no final de uma tarde de fevereiro, e de lá foi fácil pegar um trem expresso até a Paddington Station, onde começaram meus problemas. Desembarquei na Paddington e logo fui procurar o metrô...  bom, o metrô dentro da estação eu achei, mas e para descobrir como chegar ao hotel? Eu sabia o nome e o endereço do hotel, mas isso não ajudava muito, já que os mapas das linhas de metrô de Londres são enormes. Fiquei lá, andando de um lado pra outro perdidaço, tentando entender o mapa das linhas, e outras vezes tentando encontrar sinal de wi-fi para me ajudar, mas nada (hoje eu sairia da estação e procuraria um café com wi-fi).  Eu não tinha pesquisado antes porque eu jurava que em Londres devia ter um wi-fi na estação de trem, e olha que no aeroporto até tinha, mas fui deixar pra depois né. O pior é ficar perdido e ter de ficar arrastando uma mala enorme pra todo lado. Eu não sabia nem como comprar o bilhete do metrô, ou exatamente como eu entrava naquilo, já que não via ninguém vendendo nada por ali. Depois de uma hora e meia perdido dentro da estação, arrastando aquela mala enorme, e sem êxito algum, resolvi pegar um táxi. Até então eu estava com medo de pegar um táxi porque achava que poderia ser muito caro. Pagar as coisas em libras me assustava, e ainda por cima era horário de pico, mais ou menos 18h30, então eu imaginava que estaria tudo congestionado, que o táxi demoraria, e como eu não tinha menor ideia se o hotel era longe ou perto, fui até o ponto de táxi já me preparando psicologicamente para gastar um dinheiro não previsto. Quem já foi pra Londres e andou de táxi sabe como é andar dentro de um feijão...  que é exatamente como aquilo se parece. Apesar de estranho, aqueles táxis londrinos são extremamente confortáveis. Falei o nome da Rua para o motorista, ele pensou um pouco e disse que sabia onde era. Começou a andar pelas ruas e acredite, não demorou 10 minutos até o hotel. O preço também não ficou tão caro, tudo porque eu estava incrivelmente perto do hotel!
Primeira foto que tirei em Londres
Desembarque, fiz o check-in, deixei minhas coisas, e rapidamente saí andar e conhecer um pouco de Londres. Saí do hotel, e na recepção, peguei um mapa para guiar meus passos. Não é difícil se perder naquela cidade. A primeira impressão foi de uma cidade barulhenta, cheia de gente, sirenes, e que até aquele instante eu estava odiando. Foi um impacto ter saído da pequena e aconchegante Dublin, para a agitada e barulhenta Londres. Saí andando do hotel a procura do Rio Tâmisa, e claro, o Big Ben. Logo de cara fui para o lado errado e acabei parando na King's Cross. Percebi o erro e voltei graças ao santo mapinha que me deram no hotel. Andei mais uns 20 minutos, agora no sentido oposto, em meio a montes de gelo nas calçadas, já que havia nevado dois dias antes, e o gelo ainda não tinha derretido. 

Nunca me esquecerei desse lugar
Continuei andando, seguindo o mapinha que ganhei na recepção do hotel, até que achei uma Ponte, e claro, se tem ponte, tem rio embaixo né.  Fui em direção a ponte com um pouco de medo, tava tudo muito vazio. Comecei a cruzar a ponte assustado com o tamanho do rio, achei que era menor. Sempre olhando para os lados, vi então uma fileira de luzes que iam bem pro alto na vertical...   não dava para ver daquela posição, mas a medida em que eu fui andando, fui percebendo que era a Big Eye, aquela roda gigante imensa que há em Londres. Agora eu sei que a ponte onde eu estava se chama Waterloo Bridge. Entretido com a roda gigante, eu acabei não percebendo o prédio do parlamento e o Big Ben, que surgiam na margem oposta. Confesso, foi no instante em eu vi o parlamento todo iluminado as margens do Tâmisa, naquela noite gelada, que eu me apaixonei por Londres. Estava tudo muito vazio, era perto de meia-noite, havia nevado alguns dias antes, e ainda garoava levemente. A soma de tudo tornou aquele instante especial. Passar por ali naquela noite foi como entrar em um livro do Peter Pan, quando ele sai voando do quarto da Sininho em direção a Terra do Nunca, e passa ao lado do Big Ben. Fiquei um tempão por ali, aproveitei para comer um Big Mac, que sempre me salva nessas situações, e voltei caminhando até o hotel, já que até aquele instante, eu ainda não sabia como usar o metrô deles. Diferente de quanto eu fui, voltei apaixonado por aquela cidade, que hoje eu digo, é um dos meus lugares favoritos no mundo!

sábado, 30 de agosto de 2014

Los Angeles sem carro... é possível!

Quando resolvi ir para Los Angeles eu lia, em todos os lugares, que sem carro seria impossível conhecer a cidade. Quando o avião chega e começa a sobrevoar a região metropolitana, você percebe como é uma cidade enorme mesmo.
É que, apesar de não ter uma população tão grande, Los Angeles não tem muitos prédios (acho que por medo dos terremotos), tem também casas grandes, como aquelas que vemos nos filmes americanos, e essas casas acabam ocupando uma área muito grande, razão da extensão territorial da cidade. Pra ajudar, as atrações turísticas ficam todas distantes umas das outras.
Então como eu fiz?

1 - Do Aeroporto até o Centro - Pra quem não pode alugar um carro no aeroporto, procure pelo FlyAway Bus, um serviço de ônibus expresso que liga o aeroporto com o centro da cidade. Ele faz várias paradas nos diversos terminais do aeroporto, então é só sair do terminal onde você chegar e esperar pelo ônibus azul. No centro, ele para ao lado da Union Square. Tenha em mente que ele demora um pouco, já que como eu já disse, Los Angeles é uma cidade grande. Pra quem ficar hospedado, como eu, em Hollywood, da Union Square pegue um metrô. Outro problema, eles não aceitam dinheiro como forma de pagamento.

2 - O metrô de Los Angeles - Me lembro que quando cheguei pelo FlyAway Bus na Union Square fiquei perdido. Simplesmente não entendia como funcionava aquele metrô, aliás, não sabia nem onde ficava o metrô naquela estação enorme. Um dos grandes problemas é que as atendentes do metrô não pareciam muito amigáveis, e aquele vidro que separa o cliente do atendente, somado ao meu inglês preguiçoso, complica um pouco. Andei, andei, li um monte de informações, entrei na fila, saí da fila, e no final, acabei entrando e encarei a mocinha do guichê. Comprei um bilhete válido por uma semana com a moça do guichê. Acho que ela me enganou. Como eu só iria ficar quatro dias, deveria ter comprado o Metro Day Pass... vivendo e aprendendo né. Eu deveria ter pesquisado melhor antes. Da Union Square peguei o metrô, linha vermelha, até a Estação Hollywood Highland, a mais próxima do lugar onde eu ficaria hospedado. Sabe que me assustei com o metrô de L.A.? Sim, da medo porque transporte público em Los Angeles é normalmente utilizado pelos marginalizados pela sociedade. Americano mesmo tem carro, e talvez seja por isso que dizem que, pra andar por Los Angeles, só de carro. Mas apesar dos mendigos, prostitutas, e outras figuras do submundo americano, o Metrô tem estações grandes e até bonitas (mas a frequência assusta um pouco).
Além da linha vermelha, utilizei a Metro Expo Line, uma linha interessante que me levou do centro até o Califórnia Science Center, onde está em exposição a Endeavour, um dos ônibus espaciais americanos.
Agora estranha mesmo é a linha Metrô Blue Line. Estranha porque você entra nela como entra em toda estação de metrô, descendo uma escada rolante e esperando na plataforma. Ai você entra no trem, ele começa a andar por um túnel até um momento em que ele sai e começa a andar no meio da rua. Sim, imagine só um metrô parado no semáforo. Utilizei essa linha para chegar a Long Beach. É uma linha enorme, demorei mais de uma hora para sair do centro de Los Angeles e chegar a Long Beach, e confesso que morri de medo quando o metrô, ou trem, ou bonde, ou sei lá o que podemos dizer que é aquilo, começou a andar no meio de uns bairros estranhos. Tipo, não era nem comparável como o Jardim Angela ou Capão Redondo, mas não sei, fiquei com medo.

3 - Como chegar a Santa Mônica e Bervelly Hills - Como eu estava sem carro, e não tinha muito tempo, utilizei aqueles ônibus de turismo, tipo, Hop On Hop Off, para me deslocar. O ônibus saiu de Hollywood, e seguiu passando por lugares legais como Santa Monica Boulevard, até Bervelly Hills. Por ali, passeei um pouco pelas lojas super chiques, só olhando, claro, e de lá você pode pegar um outro ônibus Hop On Hop Off com destino a Santa Mônica, que é sem dúvida, meu lugar predileto em Los Angeles.
No dia seguinte fui a Santa Mônica utilizando o Metrô Bus, que nada mais é que um ônibus do Metrô. Funciona bem, tem um espaço legal para bicicletas, e estava cheio de turistas. Resumindo, da pra andar de ônibus por lá sim, só que vai demorar bastante (ruas congestionadas são uma temeridade em cidades baseadas no uso do transporte individual).

4 - Visitando Griffith Observatory - O observatório Giffith fica no alto de uma colina, onde na minha opinião, se tem a melhor vista de Los Angeles. Pra chegar lá, mas somente aos finais de semana, há um ônibus que sai da estação de metrô Vermont/Sunset.É rapidinho, chegar lá em cima em poucos minutos, e o ponto de ônibus inicial fica bem na cara da estação de metrô. O preço é cinquenta centavos... não, você não leu errado não, baratinho né! Mas tem que ter o dinheiro trocado porque eles não dão troco.

Resumindo, se você não se importa de andar com pessoas em sua maioria, marginalizadas pela sociedade, pode andar no metrô transquilo. Sim, em alguns bairros de LA me senti em um filme de gangster, mas apesar de parecerem assustadores, garanto que Carapicuíba é mais.
Metrô esquisito anda no meio dos carros
Los Angeles vista desde Griffith

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Barcelona, e a tentativa de assalto...

Ao elaborar um roteiro de viagem, aprendi uma coisa, deixe sempre aquilo que você acha que é melhor por último. Cheguei em Barcelona vindo de Londres, e naquela altura da viagem, eu estava encantado com Londres, o que fez ir para Barcelona ser praticamente um sacrifício. 
O avião pousou, e eu fui dar uma circulada pelo aeroporto. Eu tinha que remarcar minha passagem de volta para São Paulo, já que uma greve de pilotos da Ibéria havia cancelado meu voo. Consegui remarcar a passagem rapidamente, para uma data que se encaixava bem meu roteiro, viabilizando até uma parada, inicialmente não prevista, em Madri. Depois, fui até uma casa de câmbio, pois como eu estava voltando de Londres, só havia libras na minha carteira, e eu precisava era de euros.
Parei em frente a casa de câmbio e entreguei o dinheiro para a conversão. A moça conferiu tudo, pediu meu passaporte, olhou, anotou coisas, e me devolveu o passaporte com os euros dentro dele. Peguei tudo, e coloquei em um tipo de envelope plástico com zíper, onde estavam as anotações de endereço dos hotéis e mapas de como chegar até eles. Eu nunca colocava dinheiro ou passaporte ali, já que esse envelope ficava do lado externo da minha mochila, em um local que eu podia consultar rapidamente, sem ter que abrir a mochila todas as vezes. Guardei tudo e saí andando, mas eu não sei por qual motivo, deve ter sido um lampejo de inteligência, resolvi tirar do envelope plástico o dinheiro e o passaporte, e voltei a pasta plástica para o mesmo lugar. Continuei andando pelo aeroporto, pedi informações, e finalmente achei o ônibus que me levaria até a Praça Catalunya, no centro de Barcelona. Embarquei no ônibus, que foi deixando o aeroporto em direção a cidade, ao som de um menino espanhol que tentava cantar "Ai Se Eu Te Pego", do Michel Teló. Já chegando na cidade, procurei a pasta com as anotações, para ver o endereço do hotel. Cadê a pasta? Sumiu! Sim...    naquele instante eu pensei, deve ter caído fora da mochila né...  sabia de nada, inocente!
Deu maior trabalho achar esse hotel sem ter o endereço. Fiquei uns 40 minutos, dentro da estação de metrô da Praça Catalunya, procurando nos mapas o nome da estação para onde eu deveria ir, e certamente mais uma hora, depois de sair da Estação Barceloneta, procurando o hotel.

No dia seguinte, já no final do dia, fui passear na Rambla, um lugar bem legal em Barcelona. Andei bastante, jantei, e como já estava ficando tarde, resolvi voltar para o hotel, que ficava no final da Rambla, perto do Mediterrâneo. Mas claro, eu estava passeando, e resolvi fazer um caminho diferente, por dentro do Bairro Gótico, um tipo de centro da Barcelona velha. É verdade que é tudo bem cuidado, limpo, iluminado, mas estranho. Na verdade claustrofóbico representa melhor o que são aquelas vielas.  
La Rambla - Barcelona
El Barri Gotic
Fui andando, no início com bastante gente ao meu redor, mas depois de caminhar um pouco mais, para dentro do bairro, o número de pessoas ao meu redor foi ficando cada vez menor. A certa altura, só havia eu, e um grupo de americanos a minha frente, e não demorou muito para que eles entrassem em um hotel. Pensei, nossa, estou sozinho, mas tudo bem, aqui deve ser seguro. Continuei andando pelas ruas estreitas do bairro. Quando eu já estava perto de sair daquelas vielas, vi um grupo de umas cinco pessoas, com cara de gente do oriente médio, em uma esquina. Como brasileiro esperto que trabalha no Capão Redondo, fui andando já com um pé atrás, mas continuei, como se fosse uma situação absolutamente normal. A medida que cheguei mais perto, o grupo se dividiu, 3 para um lado, 2 para outro, e enquanto eu passava em meio a eles, um veio em minha direção, oferecendo um tipo de panfleto, com propaganda de casa de prostituição. O cara foi ali, tentando fazer com que eu me entretece com o panfleto, perguntando de onde eu era, e eu tentando ser educado e seguir em frente, quando de repente, senti minha carteira sair do meu bolso. Foi uma reação rápida, me virei para os caras que haviam pegado a carteira e praticamente gritei, "Devolva mi billetera". Não sei como se fala devolva minha carteira em espanhol, achei que nunca teria que dizer isso, mas eles entenderam, devolveram sem falar nada. Talvez porque eu seja grande, talvez porque eu tenha falado muito alto, e isso chamou a atenção de umas pessoas, que aquela hora, apareceram na esquina, sei lá o motivo. Peguei a carteira, coloquei no mesmo bolso onde estava antes, e fui andando, sem nunca olhar pra trás. Mais dois quarteirões e eu saí do Bairro Gótico, onde nunca mais voltei durante a noite.
De volva ao hotel fiquei pensando...   será que a pasta plástica realmente caiu da minha mochila no aeroporto? Talvez eu devesse ter levado mais a sério o aviso para tomar cuidado com batedores de carteira.
Bom, Barcelona é uma cidade incrível, mas é sempre bom ficar esperto né.
Hoje em dia, quando viajo, meu passaporte fica guardado em meu casaco, em um bolso com ziper. O dinheiro, sempre que posso, deixo no cofre do hotel. Levo sempre pouco comigo. Também sempre tenho um cartão recarregável em lugar estratégico, porque em último caso, posso ir ao banco e sacar mais. Assaltantes tem em todo lugar, em alguns lugares mais, em outros menos, mas sempre tem.
Quem mandou eu ter cara de gringo né! :/



domingo, 24 de agosto de 2014

Buenos Aires a Santiago, de ônibus.

Como já disse, prefiro andar pelo chão, vendo os lugares onde visito, que andar de avião, já que as nuvens são todas iguais e todas as partes do mundo (ta bom, tem lugar que não é) :)
Sempre tive a vontade de cruzar a Cordilheira dos Andes pelo chão, e naquela época, quando fiz essa viagem, eu só havia visto gelo dentro do freezer, então a ideia de cruzar aquelas montanhas cobertas com gelo me eram tentadoras. As passagens eu comprei pela Andesmar, a empresa de ônibus que vai de Buenos Aires, em direção a Santiago. Da pra comprar pela internet mesmo. 
Em Buenos Aires, os ônibus saem do terminal de omnibus (esse m a mais é porque ta em espanhol hehehee), ao lado da Estación Ferroviaria de Retiro. Há uma estação de metrô ali, Retiro, mas talvez, se você tiver com bagagem, vale a pena ir de táxi. Retiro fica pertinho do centro, a poucos metros da Calle Florida, lugar sagrado para brasileiros passeando por Buenos Aires, e como o preço dos táxis em Buenos Aires é barato, vale muito a pena optar por um deles.

Terminal Retiro
No dia da viagem fui de táxi, e assim, pra quem acha  que o Terminal Tietê em São Paulo parece um lugar grande e bagunçado, pode acreditar, os argentinos são campeões em terminais de ônibus grandes e bagunçados.
Pra começar, os ônibus não tem uma plataforma fixa, eles te informam que os ônibus podem sair de algum lugar entre as plataformas 1 e 10, por exemplo, e você que se vire caçando seu ônibus. O terminal também é enorme, são 75 plataformas empoeiradas e enfileiradas, e como fui em véspera de feriado, tava lotadaça. Depois de ficar zanzando procurando meu ônibus, enfim, ele estava lá, paradinho esperando por mim. Quem olha os ônibus argentinos por fora, e vê o tamanho, imagina que eles sejam espaçosos e confortáveis por dentro...   é, mas não são. Comprei as primeiras poltronas, aquelas que ficam em cima do motorista, porque se a idéia era ver o país, ali eu teria a melhor visão. Sim, nisso eu acertei, tinha a melhor visão, mas se meus joelhos pudessem, teriam me xingado a viagem toda. O ônibus partiu no logo após o almoço, andou um pouco, e nem tinha saído da região metropolitana de Buenos Aires quando parou em outro terminal. Ficou ali parado mais uns 40 minutos. Não me lembro o nome da cidade, mas de raiva eu nem fiz questão de anotar. Preferi fazer uma escala técnica no caminho, na cidade de Mendoza, antes de cruzar a Cordilheira.

No começo foi legal, e até emocionante, com o motorista atendendo celular enquanto dirigia, depois gritando com outros carros, naquele jeito argentino de ser. Mas as horas vão passando e eu pensando, quando é que esse ônibus vai parar. Sabe aquelas paradas que os ônibus aqui no Brasil fazem, que te permitem ir ao banheiro, comer um sanduíche, as vezes até almoçar ou jantar...  então, na Argentina, esqueça! Apesar da viagem ter mais de 12 horas de duração, o ônibus só para nas rodoviárias para pegar passageiro. Se você quiser, pode descer correndo, comprar algo pra comer, e voltar correndo. Os argentinos saíram comendo uns sanduíches estranhos, tipo, um bife a milanesa em meio a um pão...   sei que parece tentador quando imaginamos, mas assim, eles comiam um pedaço, e guardavam o restante no bolso ou na bolsa para comer depois...  sei lá, é carne né, mas enfim, questão de costume. Quando a fome apertou, desci em uma rodoviária correndo e fui até a lanchonete, queria ver o que eles tinham para vender e comprar algo para beber. A vitrine era lotada desses sanduíches. Comprei algumas coisas, voltei para o ônibus seguindo viagem. Foi entardecendo, a paisagem é realmente bonita, mas monótona. O interior da Argentina é muito plano, então as estradas são incrivelmente retas. Depois que a noite caiu, me lembro de passar por um lugar, tipo, uma província, onde a estrada era toda iluminada. Sim, quilômetros e mais quilômetros de rodovia iluminada. Pra quem queria dormir, isso não ajudou muito.

                  
                   A quase 100km já avistávamos as Cordilheiras
Estrada reta, bonita, e sonolenta




 







Dormi pouco, muito pouco... apertado em uma poltrona pequenininha, meio de lado, e com fome, porque tudo que tínhamos levado eram chocolates. Peguei no sono lá pelo final da madrugada, e quando acordei, já estava amanhecendo. Acho que estávamos a uns 100 quilômetros de distância da Cordilheira, mas elas são tão altas, que já eram bem visíveis, imponentes, com seus picos nevados, emoldurados por imensos parreirais. Mendonza é uma região grande produtora de vinho. 
Dias depois saímos de Mendoza em direção à Cordilheira. É incrível como aquelas montanhas são altas. Por mais fotos que se tire, por mais que se tente dizer, não da pra mostrar isso a não ser estando lá.  É uma estrada simples, cheia de curvas, e ao seu lado pode se ver uma antiga ferrovia. A estrada é tão incrível quanto perigosa, e infelizmente, aqueles que a desafiam, dentre os quais caminhoneiros brasileiros, podem não voltar para casa. Fui no verão, quando não há neve na pista, mas no inverno ela costuma ser bloqueada por conta das nevascas. Seguimos subindo a estrada, e os picos nevados foram se aproximando cada vez mais, até que avistamos ele, riscando o céu das Américas, o Aconcágua, ponto mais alto do continente americano. Há uma briguinha por ali, do tipo, os chilenos dizem que o Aconcágua fica no Chile, os argentinos dizem que fica na Argentina... pra mim, fica no Brasil! hehehehehe.
Logo depois do Aconcágua, um túnel, que é a fronteira entre a Argentina e o Chile. Você entra por um país, e saí no outro. Logo após o túnel, encontramos um grande congestionamento, o Paso Fronterizo Los Libertadores,  onde a burocracia chilena se apresenta para os turistas. Foram quase duas horas parados ali, em filas de imigração. Tira bagagem do ônibus, passa por raio-x, volta bagagem pro ônibus, entra na fila para imigração, sai da fila da imigração, pronto, vamos para Santiago. Passada a imigração, é hora de descer a Cordilheira, descida que é uma atração a parte. Aqui não tem como ser "sem emoção". Há um lugar chamado "los caracoles", uma incrível estrada que vai em zigue zague, com curvas fechadíssimas, onde você tem a impressão de que o ônibus vai passar reto no vazio...  super legal hehehehehe! Tem gente que morre de medo, acho que tinha uma mulher até rezando, mas eu adorei. Passado isso, um pouco de monotonia na paisagem, e já estávamos perto de Santiago, com sua rodoviária também esquisita, mas um pouco menos bagunçada que a de Buenos Aires.

Dica, se alguém resolver fazer a mesma viagem, vá de ônibus leito.
Nunca vá direto, pare sempre em Mendoza. A cidade é bem legal.
Chegando no chile, na rodoviária, não compre hot dog com um negócio verde no meio. É abacate! Blaght! No inverno a estrada das Cordilheiras tem horários de abertura e fechamento, então prefira fazer a viagem no verão.

Na volta eu troquei a passagem e voltei de leito. Teria voltado de avião se pudesse, mas tirando a TV que havia na minha cara e ficou ligada a noite toda, e as quase 24 horas de viagem, foi mais suportável. 

Aconcágua, o pico mais alto 
Los Caracoles - Estrada com emoção



sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Montreal a Nova York de Trem

Tempo de viagem de trem entre Montreal e Nova York - 11 horas
Tempo de viagem de avião entre Montreal e Nova York - 1 horas e meia.
ENTÃO PORQUE DIABOS EU RESOLVI IR DE TREM?

Não, não sou masoquista...    vamos ver se consigo explicar.
Quando estou viajando, sempre quero conhecer os lugares por completo. Adoro aviões, mas queria conhecer algo além dos aeroportos de chegada e partida, eu queria conhecer a fronteira entre o Canadá e os Estados Unidos, queria saber como é a imigração dentro de um trem, como é a paisagem no interior dos dois países, como seria chegar em Nova York de trem, e não de avião. Ta bom, eu sei que é difícil de convencer alguém quando falamos em 11 horas de viagem, mas assim, quando fui de Montreal para Nova York, eu já estava viajando fazia 20 dias, e depois desse tempo todo, eu precisava de um dia para descansar, um dia em que eu não precisaria andar o dia todo como eu faço sempre que estou viajando, um dia em que eu pudesse apenas sentar em uma poltrona confortável, e ver a paisagem passando pela minha janela...   compreendeu? Trem era a resposta...  e então vamos aos fatos. 

Comprei a passagem pelo site da Amtrak, a empresa ferroviária americana. Comprei aqui do Brasil mesmo, imprimi e apresentei no dia do embarque. Apesar do trem sair do Canadá, a empresa é americana. Sempre eu vi Amtrak nos filmes, então não deixou de ser um sonho realizado. A estação central de Montreal, de onde sai o trem, fica no centro...   dã, se é central, só podia ser né Ivo. O bom da estação de partida ficar no centro é que você não precisa gastar muito com transporte, basta um metrô até o centro, e de lá, já pega o trem.
O dia de ir começou, acordei, olhei no relógio e pensei, ah, tô tranquilo, tô uma hora adiantado...   quem me conhece sabe que eu acordar uma hora mais cedo para alguma coisa teria que ter sido um milagre. Na verdade eu não estava adiantado, foi meu celular, que uso como despertador, que se ajustou automaticamente ao horário do Canadá e eu não percebi, quer dizer, percebi, mas só quando estava tomando café da manhã. Os instantes que se seguiram a isso foram de intensa correria... corri, corri, corri, corri, e embora a temperatura fosse de cinco graus, cheguei todo suado a Gare Centrale, a Estação Central de Montreal. Ufa, deu tempo!

Estação Central - Gare Centrale - de Montreal


Entrei, achei minha poltrona, me acomodei, e lá fiquei. Pontualmente no horário o trem começou a  se mover. Assim que partimos o maquinista, ou seja lá o nome que se dê a alguém que pilote um trem, começou a falar com os passageiros pelo sistema de som. Todo engraçadinho, me deixou bravo quando disse que não havia wi-fi, mas a vista que teríamos pela janela compensaria. Pô... mas eu comprei até um adaptador para a tomada! Enfim, fiz aquilo que o maquinista disse, aproveitei que não tinha wi-fi e fui olhar a paisagem pela janela...   e que paisagem heim.
O trem aos poucos foi saindo de Montreal, passando por lugares no interior do Canadá, e não demorou muito para chegar a fronteira americana. Pouco antes de chegar na fronteira, onde o trem para para a imigração, eles informaram que o vagão restaurante seria fechado. Informaram também que, após parar, não estaria mais autorizado que as pessoas se levantassem de suas poltronas, e que eles tentariam fazer tudo da forma mais rápida possível. Olha, ficamos 2 horas parados ali. Se essa foi a forma mais rápida possível, imagino se tivesse sido a mais lenta.
O problema é que os oficiais da imigração americana, super paranoicos como sempre, entram vagão por vagão, e vão checando os passaportes, enquanto os passageiros não podem se levantar. A proibição de se levantar é para que ninguém tente enganar os oficiais né, tipo, você se levanta, vai ao banheiro, e quando ele já passou pelo seu lugar, você volta e senta onde ele já passou, escapando da imigração. Americanos são espertos viu! :)
Enquanto eu esperava, uma surpresa...   bolinhas brancas, quer dizer, não exatamente bolinhas, mas floquinhos brancos de neve começaram a cair do lado de fora da janela do trem. Ta bom, não caíram tantos floquinhos assim, mas para um brasileiro deslumbrado como eu, foi encantador ver neve  pela primeira vez na vida. A neve parou e eu ali, esperando, esperando, esperando, tive tempo até pra contar quantos dormentes tinham naquele trecho de trilhos. Ainda bem que levei uns doces na mochila... kit kat sempre me salvando na hora da fome.
E eis então que chegou a moça da imigração. Pegou meu passaporte, olhou e perguntou, você é um cidadão brasileiro? Deu vontade de responder, não, sou japonês, não ta vendo sua loira...  mas me contive e respondi "yes" :)
Aí ela olhou minha mão e perguntou se eu tinha família. Gastei todo meu inglês dizendo pra ela que eu morava sozinho em São Paulo, mas meus pais moravam no interior, bla bla bla...  e aí ela perguntou, você é casado? Ahhhhhhh...   então era isso que a loira com cara de espiã queria saber quando perguntou se eu tinha família...  respondi que não (e percebi que ela estava observando minha mão, sem aliança... americana esperta). Como meu passaporte já tinha carimbo de entrada, que ganhei em Miami, e era válido por 6 meses, não precisei me levantar e ir até uma sala na estação, enfrentar fila para carimbar. Logo depois veio outro oficial, esse era um que controlava comida, ou algo parecido. Perguntou se eu levava algum tipo de alimento, informei que sim, e ele pediu ver o saco de kit kat que havia em minha mochila. Não pediu um e nem me prendeu por tráfico internacional de chocolate. 
Esperei, esperei, esperei, esperei, e depois de esperar mais um pouco,  finalmente partimos, agora já em solo americano. Bem-vindos a América, disse o maquinista engraçadinho. 
O trem continuou, parando de vez  em quando, embarcando e desembarcando americanos em lugares que eu queria ter tempo e dinheiro para conhecer. Eram cidades pequenas, aquelas típicas cidades americanas que vemos nos filmes. O trem as vezes parecia parar na praça central, ou no quintal de algumas casas. Lembro que em uma das estações havia um tipo de sítio ao lado, com vacas pastando. O que eu também gosto no trem é que você pode se levantar, ir até o restaurante, almoçar uns sanduíches estranhos, comprar kit kat (sim eu adoro), voltar, dormir um pouco, olhar a paisagem...  a distância entre as poltronas é ótima, da pra descansar muito bem, mesmo pra mim que sou grandão (tanto na vertical quanto na horizontal heheehehe).
Quando faltava umas 4 horas para chegar em Nova York, e logo após passar por Albany, começamos a margear o Rio Hudson. Lindas paisagens, em um entardecer inesquecível. Alguns dizem que a vista de quem senta do lado esquerdo é melhor, mas eu me sentei do lado direito e gostei muito. 

Entardecendo no Rio Hudson
                                                          
Já era perto de oito da noite quando o trem começou a entrar em Manhattan. Quando ele vai chegando perto da estação, você para de ver as paisagens porque ele começa a entrar em meio de prédios, com paredes pichadas, passa no mesmo trilho do metrô, ao lado de estações, muito doido...   finalmente Pen Station, e eu estava na Big Apple.

Foi como planejei, fiquei o dia todo sentado, vendo uma linda paisagem passar na minha janela, comendo e dormindo...   Ta bom né?   Depois desse dia de descanso eu estava pronto para desbravar Nova York! 

Nota: Dois dias depois a polícia canadense descobriu que havia um grupo terrorista planejando explodir esse trem embarcando bombas no Canadá e detonando ao chegar na Pen Station...   super legal né! :)

Pra quem gosta, recomendo essa viagem. Não é cansativa, e não é todo dia que terroristas tentam explodir o trem. Na verdade é muito legal ver as fazendas, lagos, cidadezinhas, e pessoas no interior dos Estados Unidos que vivem uma vida muito diferente da sua. Agora, para quem tem pouco tempo, vá de avião mesmo. É  mais barato e mais rápido.



quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Imigração espanhola, o terror!

A primeira vez que fui pra Europa, me lembro ter escolhido a empresa aérea baseado no aeroporto europeu onde ela chegaria. Foi mais ou menos assim, logo que decidi ir para a Europa, já fui pensando, onde será que a imigração seria mais fácil? A conclusão parecia óbvia, Portugal, e por isso sai procurando passagens para Lisboa. Pesquisei, pesquisei, pesquisei, e como bom sem noção que eu sou, comprei, só que a anta aqui comprou para Lisboa, com conexão em Madrid, exatamente o aeroporto que eu mais estava tentando evitar. Sim, eu sou uma anta! Meia hora depois de comprar a passagem, quando descobri que a conexão em Madrid, me obrigaria a passar pela imigração por ali, fiquei desesperado. Cheguei a ligar na Ibéria (depois escrevo algo sobre a Ibéria), para tentar cancelar a passagem, morrendo de medo de ter problemas ao chegar em Barajas. Fiz várias contas para verificar qual seria o valor da multa, liguei na Ibéria pra perguntar quando custaria a alteração na passagem, li relatos na internet de pessoas que chegaram no aeroporto de Barajas e foram mandadas de volta para o Brasil, e outras pessoas reclamando da falta de educação dos agentes da imigração espanhola. É que o negócio funciona mais ou menos assim, normalmente, no país onde seu voo chega é onde você fará a imigração. Depois de feita a imigração ali, e enquanto você estiver dentro do Espaço Schengen (área onde há um tipo de convênio entre alguns países europeus), todos os seus voos serão voos domésticos.

Mapa com áreas do Espaço Schengen


Bom, como cancelar ou remarcar ficaria muito caro, não tive outra escolha, encarar a escolha feita. O tempo passou e finalmente chegou o grande dia de ir para a Europa. Arrumei minhas coisas e embarquei. Quando o avião começou a sobrevoar a Espanha, eu me lembro de ficar olhando pro chão e pensando, será que vão me deixar entrar? Eu queria só pisar lá pra ver como é... mas e se me deixarem trancado em uma salinha do aeroporto?
Eu havia lido em algum lugar, dentre os vários relatos de gente barrada em Madrid, que as primeiras pessoas que chegavam na imigração eram melhor tratadas pelos agentes, então assim que o avião parou, e o piloto apagou a luz de atar cinto, me levantei rapidamente, mal me despedi da moça simpática que foi conversando comigo a viagem inteira, e corri para a imigração. Logo no final da ponte de desembarque já havia um oficial olhando o passaporte de todos. Olhou o meu, e abanou sua mão direita, em um gesto que parecia alguém espantando um pernilongo. Passei, e assim que sai da ponte de desembarque e olhei para o aeroporto, me esqueci da imigração. O aeroporto de Barajas que é incrível. Nunca vi um aeroporto tão bonito. Mas enfim, não estava ali para fazer turismo no aeroporto, e continuei na loooooonga esteira que levava do finger até a imigração. Como saí correndo, cheguei até a imigração quando ainda havia poucas pessoas na fila, então fui um dos primeiros, exatamente como eu havia planejado. Chegou minha vez, e oficial com cara de quem comeu uma paeja no café da manhã me chamou, pegou meu passaporte, conferiu se eu era aquele mesmo da foto, e "gruniu" algo em espanhol bem carregado, do tipo, para onde você vai? Respondi rapidamente, Lisboa, gastando meu espanhol que aprendi assistindo MTV Latino. Ele então perguntou, você mora em Lisboa? Respondi que não, morava em São Paulo. Ele então olhou para um carimbo, pegou, carimbou meu passaporte, e jogou sobre um balcão em minha direção. Nada de "bem-vindo a Espanha" ou algo assim, simplesmente se virou pro lado e pronto. Peguei meu passaporte meio desconfiado, pensando, será que é só isso? Posso ir?? Bom, como ele não falou mais nada, segui passando bem devagar, ao lado da cabine dele, para caso ele fosse fazer mais alguma pergunta, e pronto...  sim, eu estava na Europa...  eu havia entrado...  mas era só isso?

Enfim, li tanta coisa sobre a imigração espanhola que fiquei com muito medo. Depois, durante meus dias na Europa, acabei saindo do Espaço Schengen. Ao retornar para a Espanha, dessa vez em Barcelona, simplesmente esqueci que estava entrando novamente na tão temida anteriormente por mim, Espanha. Dessa vez a moça nem olhou pra minha cara, não fez perguntas, só carimbou e pronto. Se eu fosse mudo, teria passado e ela nem saberia.

Até hoje eu continuo sempre com um pé atrás com as imigrações, mas uma coisa eu aprendi, seja sincero, não minta, e leve todos os documentos de forma organizada. Isso diminuirá muito seus problema.

O negócio é lembrar sempre que entrar em um país é uma concessão. Ninguém, de lugar nenhum do mundo é obrigado a deixar você entrar. Nem mesmo em Ciudad del Este (espero que nenhum paraguaio leia isso). Você não é de lá, você é visitante, e o dono da casa sempre pode escolher se quer ou não deixar você entrar. Se comporte corretamente, não invente histórias, assim o dono da casa confiará em você e certamente você não terá problemas.

Interior de um dos terminais do aeroporto de Barajas

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Planejar é Viajar


Muita gente gosta de ir a uma agência de viagem, comprar um pacote. Chega lá pro moço da CVC e diz: Eu quero ir pra tal lugar, ficar tantos dias, e voltar...  quanto custa? Ok, sem problema. Quem sou eu pra julgar alguém né. Cada um escolhe a forma que mais lhe agrada pra viajar, mas viajante que é viajante, mochileiro que é mochileiro, sabe que planejar a viagem é começar a viagem antes de embarcar.
Sabe aquele tempo todo que você passa planejando, pesquisando, vendo vídeos...  no meu caso chega a ser tanto que quando vou para o lugar, já sei exatamente onde ir, as vezes até o nome das ruas. 
São meses pesquisando, vendo se vale  mesmo a pena ir até um lugar. Depois tem a pesquisa sobre onde chegar, qual trem pegar, o nome do aeroporto, e as vezes até como se pronuncia o nome. Até hoje não sei pronunciar o nome dos aeroportos de Berlim. 
Então assim, se você quer comprar um pacote da CVC, vá lá, mas talvez você não seja quem vai se interessar por minhas informações. Eu escrevo para os doidos, que são capazes de atravessar um oceano sozinhos, chegar em um país sem saber falar o idioma local, se perder porque não sabe ler o nome das estações, e mesmo assim lembrar de tudo isso com saudade. 
Se você é assim, sinta-se a vontade, somos assim... :)