Cheguei em Londres em uma segunda-feira fria e chuvosa. Desembarquei em Heathrow no final de uma tarde de fevereiro, e de lá foi fácil pegar um trem expresso até a Paddington Station, onde começaram meus problemas. Desembarquei na Paddington e logo fui procurar o metrô... bom, o metrô dentro da estação eu achei, mas e para descobrir como chegar ao hotel? Eu sabia o nome e o endereço do hotel, mas isso não ajudava muito, já que os mapas das linhas de metrô de Londres são enormes. Fiquei lá, andando de um lado pra outro perdidaço, tentando entender o mapa das linhas, e outras vezes tentando encontrar sinal de wi-fi para me ajudar, mas nada (hoje eu sairia da estação e procuraria um café com wi-fi). Eu não tinha pesquisado antes porque eu jurava que em Londres devia ter um wi-fi na estação de trem, e olha que no aeroporto até tinha, mas fui deixar pra depois né. O pior é ficar perdido e ter de ficar arrastando uma mala enorme pra todo lado. Eu não sabia nem como comprar o bilhete do metrô, ou exatamente como eu entrava naquilo, já que não via ninguém vendendo nada por ali. Depois de uma hora e meia perdido dentro da estação, arrastando aquela mala enorme, e sem êxito algum, resolvi pegar um táxi. Até então eu estava com medo de pegar um táxi porque achava que poderia ser muito caro. Pagar as coisas em libras me assustava, e ainda por cima era horário de pico, mais ou menos 18h30, então eu imaginava que estaria tudo congestionado, que o táxi demoraria, e como eu não tinha menor ideia se o hotel era longe ou perto, fui até o ponto de táxi já me preparando psicologicamente para gastar um dinheiro não previsto. Quem já foi pra Londres e andou de táxi sabe como é andar dentro de um feijão... que é exatamente como aquilo se parece. Apesar de estranho, aqueles táxis londrinos são extremamente confortáveis. Falei o nome da Rua para o motorista, ele pensou um pouco e disse que sabia onde era. Começou a andar pelas ruas e acredite, não demorou 10 minutos até o hotel. O preço também não ficou tão caro, tudo porque eu estava incrivelmente perto do hotel!
| Primeira foto que tirei em Londres |
Desembarque, fiz o check-in, deixei minhas coisas, e rapidamente saí andar e conhecer um pouco de Londres. Saí do hotel, e na recepção, peguei um mapa para guiar meus passos. Não é difícil se perder naquela cidade. A primeira impressão foi de uma cidade barulhenta, cheia de gente, sirenes, e que até aquele instante eu estava odiando. Foi um impacto ter saído da pequena e aconchegante Dublin, para a agitada e barulhenta Londres. Saí andando do hotel a procura do Rio Tâmisa, e claro, o Big Ben. Logo de cara fui para o lado errado e acabei parando na King's Cross. Percebi o erro e voltei graças ao santo mapinha que me deram no hotel. Andei mais uns 20 minutos, agora no sentido oposto, em meio a montes de gelo nas calçadas, já que havia nevado dois dias antes, e o gelo ainda não tinha derretido.
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| Nunca me esquecerei desse lugar |
Continuei andando, seguindo o mapinha que ganhei na recepção do hotel, até que achei uma Ponte, e claro, se tem ponte, tem rio embaixo né. Fui em direção a ponte com um pouco de medo, tava tudo muito vazio. Comecei a cruzar a ponte assustado com o tamanho do rio, achei que era menor. Sempre olhando para os lados, vi então uma fileira de luzes que iam bem pro alto na vertical... não dava para ver daquela posição, mas a medida em que eu fui andando, fui percebendo que era a Big Eye, aquela roda gigante imensa que há em Londres. Agora eu sei que a ponte onde eu estava se chama Waterloo Bridge. Entretido com a roda gigante, eu acabei não percebendo o prédio do parlamento e o Big Ben, que surgiam na margem oposta. Confesso, foi no instante em eu vi o parlamento todo iluminado as margens do Tâmisa, naquela noite gelada, que eu me apaixonei por Londres. Estava tudo muito vazio, era perto de meia-noite, havia nevado alguns dias antes, e ainda garoava levemente. A soma de tudo tornou aquele instante especial. Passar por ali naquela noite foi como entrar em um livro do Peter Pan, quando ele sai voando do quarto da Sininho em direção a Terra do Nunca, e passa ao lado do Big Ben. Fiquei um tempão por ali, aproveitei para comer um Big Mac, que sempre me salva nessas situações, e voltei caminhando até o hotel, já que até aquele instante, eu ainda não sabia como usar o metrô deles. Diferente de quanto eu fui, voltei apaixonado por aquela cidade, que hoje eu digo, é um dos meus lugares favoritos no mundo!










