quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Imigração espanhola, o terror!

A primeira vez que fui pra Europa, me lembro ter escolhido a empresa aérea baseado no aeroporto europeu onde ela chegaria. Foi mais ou menos assim, logo que decidi ir para a Europa, já fui pensando, onde será que a imigração seria mais fácil? A conclusão parecia óbvia, Portugal, e por isso sai procurando passagens para Lisboa. Pesquisei, pesquisei, pesquisei, e como bom sem noção que eu sou, comprei, só que a anta aqui comprou para Lisboa, com conexão em Madrid, exatamente o aeroporto que eu mais estava tentando evitar. Sim, eu sou uma anta! Meia hora depois de comprar a passagem, quando descobri que a conexão em Madrid, me obrigaria a passar pela imigração por ali, fiquei desesperado. Cheguei a ligar na Ibéria (depois escrevo algo sobre a Ibéria), para tentar cancelar a passagem, morrendo de medo de ter problemas ao chegar em Barajas. Fiz várias contas para verificar qual seria o valor da multa, liguei na Ibéria pra perguntar quando custaria a alteração na passagem, li relatos na internet de pessoas que chegaram no aeroporto de Barajas e foram mandadas de volta para o Brasil, e outras pessoas reclamando da falta de educação dos agentes da imigração espanhola. É que o negócio funciona mais ou menos assim, normalmente, no país onde seu voo chega é onde você fará a imigração. Depois de feita a imigração ali, e enquanto você estiver dentro do Espaço Schengen (área onde há um tipo de convênio entre alguns países europeus), todos os seus voos serão voos domésticos.

Mapa com áreas do Espaço Schengen


Bom, como cancelar ou remarcar ficaria muito caro, não tive outra escolha, encarar a escolha feita. O tempo passou e finalmente chegou o grande dia de ir para a Europa. Arrumei minhas coisas e embarquei. Quando o avião começou a sobrevoar a Espanha, eu me lembro de ficar olhando pro chão e pensando, será que vão me deixar entrar? Eu queria só pisar lá pra ver como é... mas e se me deixarem trancado em uma salinha do aeroporto?
Eu havia lido em algum lugar, dentre os vários relatos de gente barrada em Madrid, que as primeiras pessoas que chegavam na imigração eram melhor tratadas pelos agentes, então assim que o avião parou, e o piloto apagou a luz de atar cinto, me levantei rapidamente, mal me despedi da moça simpática que foi conversando comigo a viagem inteira, e corri para a imigração. Logo no final da ponte de desembarque já havia um oficial olhando o passaporte de todos. Olhou o meu, e abanou sua mão direita, em um gesto que parecia alguém espantando um pernilongo. Passei, e assim que sai da ponte de desembarque e olhei para o aeroporto, me esqueci da imigração. O aeroporto de Barajas que é incrível. Nunca vi um aeroporto tão bonito. Mas enfim, não estava ali para fazer turismo no aeroporto, e continuei na loooooonga esteira que levava do finger até a imigração. Como saí correndo, cheguei até a imigração quando ainda havia poucas pessoas na fila, então fui um dos primeiros, exatamente como eu havia planejado. Chegou minha vez, e oficial com cara de quem comeu uma paeja no café da manhã me chamou, pegou meu passaporte, conferiu se eu era aquele mesmo da foto, e "gruniu" algo em espanhol bem carregado, do tipo, para onde você vai? Respondi rapidamente, Lisboa, gastando meu espanhol que aprendi assistindo MTV Latino. Ele então perguntou, você mora em Lisboa? Respondi que não, morava em São Paulo. Ele então olhou para um carimbo, pegou, carimbou meu passaporte, e jogou sobre um balcão em minha direção. Nada de "bem-vindo a Espanha" ou algo assim, simplesmente se virou pro lado e pronto. Peguei meu passaporte meio desconfiado, pensando, será que é só isso? Posso ir?? Bom, como ele não falou mais nada, segui passando bem devagar, ao lado da cabine dele, para caso ele fosse fazer mais alguma pergunta, e pronto...  sim, eu estava na Europa...  eu havia entrado...  mas era só isso?

Enfim, li tanta coisa sobre a imigração espanhola que fiquei com muito medo. Depois, durante meus dias na Europa, acabei saindo do Espaço Schengen. Ao retornar para a Espanha, dessa vez em Barcelona, simplesmente esqueci que estava entrando novamente na tão temida anteriormente por mim, Espanha. Dessa vez a moça nem olhou pra minha cara, não fez perguntas, só carimbou e pronto. Se eu fosse mudo, teria passado e ela nem saberia.

Até hoje eu continuo sempre com um pé atrás com as imigrações, mas uma coisa eu aprendi, seja sincero, não minta, e leve todos os documentos de forma organizada. Isso diminuirá muito seus problema.

O negócio é lembrar sempre que entrar em um país é uma concessão. Ninguém, de lugar nenhum do mundo é obrigado a deixar você entrar. Nem mesmo em Ciudad del Este (espero que nenhum paraguaio leia isso). Você não é de lá, você é visitante, e o dono da casa sempre pode escolher se quer ou não deixar você entrar. Se comporte corretamente, não invente histórias, assim o dono da casa confiará em você e certamente você não terá problemas.

Interior de um dos terminais do aeroporto de Barajas