Ao elaborar um roteiro de viagem, aprendi uma coisa, deixe sempre aquilo que você acha que é melhor por último. Cheguei em Barcelona vindo de Londres, e naquela altura da viagem, eu estava encantado com Londres, o que fez ir para Barcelona ser praticamente um sacrifício.
O avião pousou, e eu fui dar uma circulada pelo aeroporto. Eu tinha que remarcar minha passagem de volta para São Paulo, já que uma greve de pilotos da Ibéria havia cancelado meu voo. Consegui remarcar a passagem rapidamente, para uma data que se encaixava bem meu roteiro, viabilizando até uma parada, inicialmente não prevista, em Madri. Depois, fui até uma casa de câmbio, pois como eu estava voltando de Londres, só havia libras na minha carteira, e eu precisava era de euros.
Parei em frente a casa de câmbio e entreguei o dinheiro para a conversão. A moça conferiu tudo, pediu meu passaporte, olhou, anotou coisas, e me devolveu o passaporte com os euros dentro dele. Peguei tudo, e coloquei em um tipo de envelope plástico com zíper, onde estavam as anotações de endereço dos hotéis e mapas de como chegar até eles. Eu nunca colocava dinheiro ou passaporte ali, já que esse envelope ficava do lado externo da minha mochila, em um local que eu podia consultar rapidamente, sem ter que abrir a mochila todas as vezes. Guardei tudo e saí andando, mas eu não sei por qual motivo, deve ter sido um lampejo de inteligência, resolvi tirar do envelope plástico o dinheiro e o passaporte, e voltei a pasta plástica para o mesmo lugar. Continuei andando pelo aeroporto, pedi informações, e finalmente achei o ônibus que me levaria até a Praça Catalunya, no centro de Barcelona. Embarquei no ônibus, que foi deixando o aeroporto em direção a cidade, ao som de um menino espanhol que tentava cantar "Ai Se Eu Te Pego", do Michel Teló. Já chegando na cidade, procurei a pasta com as anotações, para ver o endereço do hotel. Cadê a pasta? Sumiu! Sim... naquele instante eu pensei, deve ter caído fora da mochila né... sabia de nada, inocente!
Deu maior trabalho achar esse hotel sem ter o endereço. Fiquei uns 40 minutos, dentro da estação de metrô da Praça Catalunya, procurando nos mapas o nome da estação para onde eu deveria ir, e certamente mais uma hora, depois de sair da Estação Barceloneta, procurando o hotel.
Deu maior trabalho achar esse hotel sem ter o endereço. Fiquei uns 40 minutos, dentro da estação de metrô da Praça Catalunya, procurando nos mapas o nome da estação para onde eu deveria ir, e certamente mais uma hora, depois de sair da Estação Barceloneta, procurando o hotel.
No dia seguinte, já no final do dia, fui passear na Rambla, um lugar bem legal em Barcelona. Andei bastante, jantei, e como já estava ficando tarde, resolvi voltar para o hotel, que ficava no final da Rambla, perto do Mediterrâneo. Mas claro, eu estava passeando, e resolvi fazer um caminho diferente, por dentro do Bairro Gótico, um tipo de centro da Barcelona velha. É verdade que é tudo bem cuidado, limpo, iluminado, mas estranho. Na verdade claustrofóbico representa melhor o que são aquelas vielas.
| La Rambla - Barcelona |
| El Barri Gotic |
Fui andando, no início com bastante gente ao meu redor, mas depois de caminhar um pouco mais, para dentro do bairro, o número de pessoas ao meu redor foi ficando cada vez menor. A certa altura, só havia eu, e um grupo de americanos a minha frente, e não demorou muito para que eles entrassem em um hotel. Pensei, nossa, estou sozinho, mas tudo bem, aqui deve ser seguro. Continuei andando pelas ruas estreitas do bairro. Quando eu já estava perto de sair daquelas vielas, vi um grupo de umas cinco pessoas, com cara de gente do oriente médio, em uma esquina. Como brasileiro esperto que trabalha no Capão Redondo, fui andando já com um pé atrás, mas continuei, como se fosse uma situação absolutamente normal. A medida que cheguei mais perto, o grupo se dividiu, 3 para um lado, 2 para outro, e enquanto eu passava em meio a eles, um veio em minha direção, oferecendo um tipo de panfleto, com propaganda de casa de prostituição. O cara foi ali, tentando fazer com que eu me entretece com o panfleto, perguntando de onde eu era, e eu tentando ser educado e seguir em frente, quando de repente, senti minha carteira sair do meu bolso. Foi uma reação rápida, me virei para os caras que haviam pegado a carteira e praticamente gritei, "Devolva mi billetera". Não sei como se fala devolva minha carteira em espanhol, achei que nunca teria que dizer isso, mas eles entenderam, devolveram sem falar nada. Talvez porque eu seja grande, talvez porque eu tenha falado muito alto, e isso chamou a atenção de umas pessoas, que aquela hora, apareceram na esquina, sei lá o motivo. Peguei a carteira, coloquei no mesmo bolso onde estava antes, e fui andando, sem nunca olhar pra trás. Mais dois quarteirões e eu saí do Bairro Gótico, onde nunca mais voltei durante a noite.
De volva ao hotel fiquei pensando... será que a pasta plástica realmente caiu da minha mochila no aeroporto? Talvez eu devesse ter levado mais a sério o aviso para tomar cuidado com batedores de carteira.
Bom, Barcelona é uma cidade incrível, mas é sempre bom ficar esperto né.
Hoje em dia, quando viajo, meu passaporte fica guardado em meu casaco, em um bolso com ziper. O dinheiro, sempre que posso, deixo no cofre do hotel. Levo sempre pouco comigo. Também sempre tenho um cartão recarregável em lugar estratégico, porque em último caso, posso ir ao banco e sacar mais. Assaltantes tem em todo lugar, em alguns lugares mais, em outros menos, mas sempre tem.
Quem mandou eu ter cara de gringo né! :/